Salvador

Professora afirma que há apartheid em Salvador

A professora Bárbara Carine foi a entrevistada desta quinta-feira (8) do Se Liga Bocão  |  Reprodução / Youtube

Publicado em 08/01/2026, às 19h58 - Atualizado às 20h06   Reprodução / Youtube   Davi Lemos

A professora, escritora e palestrante Bárbara Carine afirmou, nesta quinta-feira (8), durante participação no Se Liga Bocão, que há apartheid em Salvador. Nesta semana, educadora anunciou o fechamento da escola afro-brasileira Maria Felipa, no bairro do Garcia, que tinha premissa na educação antirracista e valores como diversidade e inclusão.

"Tem [apartheid]. Se você transitar, tem shoppings aqui em Salvador que você vai em andares, você vai subindo em andares e o shopping vai embranquecendo. E a qualidade também do serviço vai mudando. Tem shoppings aqui em Salvador que você vai em banheiro de primeiro piso, você vê cano, tubulação aparente. Você vai em banheiro do último piso, que são as lojas de grife, é tudo lá dourado, tudo bonito, tudo lindo, tudo maravilhoso", comentou a educadora.

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A educadora diz que o Brasil vive um racismo cínico. "Geralmente, no Brasil, a gente tem um racismo que o pessoal fala que é velado, mas não é velado, é muito escancarado. Eu digo que o racismo no Brasil é cínico, é um racismo dissimulado. Ele está aqui e a gente finge que ele não existe. E o que eu acredito é que a gente não está piorando. Eu acredito que a gente está visibilizando [o racismo]", comentou Bárbara Carine.

"A nossa cidade de Salvador é um reflexo disso. A gente tem uma cidade composta majoritariamente com pessoas pretas e pardas, portanto, negras, segundo o Estatuto da Igualdade Racial de 2010, que é uma lei federal que estabelece o que são pessoas negras no Brasil. A gente tem 84% de população negra na cidade de Salvador, que a gente não consegue ter uma Câmara de Vereadores com uma proporcionalidade próxima", comentou a influenciadora.

Ao fala da proposta da Escola Maria Felipa. A professora diz que a escola brasileira apresenta viés branco, greco-romano. "Então é um mundo branco que insere no nosso imaginário coletivo social como um poder mesmo de produção do conhecimento. E eu queria uma escola que além das produções intelectuais brancas apresentasse pessoas negras, indígenas como producentes também de saber [...] A Escola Afro-Brasileira é uma escola que valoriza o negro, o conhecimento afro-brasileiro em grau de paridade com a cultura europeia", disse Bárbara Carine.

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