Salvador
A escritora, palestrante e educadora Bárbara Carine detalhou o encerramento das atividades da escola afro-brasileira Maria Felipa enquanto unidade privada em Salvador, após quase uma década de atuação na capital baiana. Em pronunciamento nas redes sociais nesta quarta-feira (7), ela comentou os bastidores por trás da decisão e informou que a medida acontece diante de vários fatores, entre eles o financeiro. Do infantil ao Fundamental I, a escola tem como premissa a educação antirracista e valores como diversidade e inclusão.
A Escola Maria Filipe deveria ser uma escola comunitária, custeada pela Prefeitura de Salvador, essa é a realidade. Só que eu abri como uma escola privada, jurando que essa escola iria ser, enfim, que ia ser celebrada pela cidade e que a escola ia se pagar. Na minha cabeça era isso. Quando as contas não foram fechando, eu fui entendendo que era um negócio", declarou a educadora.
"Eu tive adoecimento psicológico por causa da escola. Cheguei a ter pensamentos, inclusive, que eu não posso falar aqui em termos de tipo, nossa, eu saio de uma vida comum, de uma vida de professora, de uma vida que estava tudo organizada. Eu não tinha patrimônio, mas eu tinha estabilidade, eu tinha ali meu salário, eu tinha financiado o meu apartamento, esse apartamento aqui, eu tinha um carro financiado, eu vivia bem, ajudava minha mãe, enfim, as coisas estavam ok na vida. E de repente eu começo a ter dívidas estratosféricas que aquela minha esfera de professor não dava conta", revelou.
Mesmo com a sociedade com a empresária Maju Passos, Bárbara conta que as duas enfrentaram muita dificuldade nos últimos anos para seguir com o projeto. Um dos principais fatores que levaram ao fechamento da escola foi a falta de apoio do poder público e da sociedade soteropolitana para abraçar uma escola afro-brasileira na cidade com maior número de pessoas negras fora da África.
Eu fui esperar que Salvador, que não elege um prefeito negro, fosse celebrar uma escola afro-brasileira. Não dava para a gente imaginar isso. Mas a gente foi para um outro caminho. Como é uma cidade com 84% de população negra, acho que é o melhor lugar do Brasil para abrir uma escola afro-brasileira. E não foi bem sobre isso", pontuou.
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"Tem outras questões da construção da identidade da cidade, que está muito marcada nas frentes políticas, nas pessoas que dominam os eventos da cidade, o carnaval, as pessoas que lucram com aquilo que pessoas negras produzem, as pessoas que lucram com a cultura negra na cidade, não são pessoas negras. Então, Salvador é muito paradoxal, E a gente abriu essa escola privada em uma cidade extremamente paradoxal. Então, óbvio que teria essas consequências", disse.
Bárbara Carine disse ainda que a unidade do Rio de Janeiro vai manter as portas abertas. Ela ainda comentou os objetivos iniciais ao abrir a unidade educacional e a missão por trás da Maria Felipa. "A Escola Maria Filipe nunca foi para mim uma via de lucro. Não porque não deu lucro, mas porque eu nunca sonhei com isso. Eu nunca esperei que a Escola Maria Filipe pagasse alguma conta minha", reforçou a gestora da unidade.
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