Salvador
Publicado em 07/08/2026, às 13h35 Reprodução/Redes Sociais Matheus Simoni
Um projeto de lei apresentado na Câmara Municipal de Salvador (CMS) propõe batizar uma rua da capital baiana com o nome de Léo Lanches, apelido pelo qual era conhecido o comerciante Leonardo Gil Lima, morto no bairro de São Cristóvão, em 23 de julho. A proposta é de autoria do vereador Duda Sanches (PSDB), que também é candidato a deputado federal na eleição deste ano, e foi protocolada no início da semana.
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O texto prevê que um logradouro, cuja localização ainda não foi preenchida no projeto, passe a ser denominado oficialmente Léo Lanches (Leonardo Gil Lima). A proposta também autoriza o Poder Executivo a instalar uma placa indicativa com o novo nome e a adotar medidas necessárias para implantação, manutenção e sinalização do local.
Na justificativa, Sanches afirma que Leonardo Gil Lima era conhecido na comunidade de São Cristóvão, onde atuava como vendedor de lanches. Segundo o texto, Léo era reconhecido pelo "trabalho, esforço, perseverança e espírito empreendedor". A justificativa destaca ainda que a inauguração do próprio estabelecimento comercial foi considerada uma conquista importante na trajetória do comerciante, celebrada por familiares, amigos, clientes e moradores da região.
O projeto afirma que a história de Leonardo representa a de pequenos empreendedores que buscam, por meio do trabalho, melhorar as condições de vida da família e contribuir para a economia local.
A justificativa também menciona que a vida de Leonardo foi interrompida de forma abrupta. Leo Lanches tinha 33 anos quando foi morto por uma policial militar lotada na 49ª Companhia Independente (CIPM). Segundo a PM, os policiais realizavam patrulhamento quando foram recebidas a tiros por homens armados. Segundo a corporação, houve revide e, ao final da ocorrência, Leonardo foi encontrado baleado. No entanto, a versão não foi corroborada nem por familiares, testemunhas e também pela Polícia Civil. Pessoas próximas a Léo contam que o vendedor havia acabado de chegar do trabalho e foi baleado pela policial em frente à própria casa, sem que houvesse confronto no local.
Após o caso, a Polícia Militar afastou os policiais envolvidos das atividades operacionais. Na última terça-feira (4), a Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão da soldado Valdirene Nonato Santos França após análises de imagens de câmeras corporais usadas pelos agentes que participaram da ação policial.
De acordo com a polícia, as investigações começaram logo após o crime. O inquérito foi instaurado pela 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), vinculada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que realizou diligências no local, ouviu testemunhas, analisou as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos e solicitou perícias complementares.
Ainda segundo a corporação, a conclusão dos exames e o laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) permitiram identificar a arma de onde partiu o disparo que atingiu o comerciante. A morte de Léo desencadeou uma série de protestos, tanto no bairro onde ele morava como também em outros lugares da cidade.
"A homenagem ora proposta não pretende eternizar o episódio de sua morte, mas, sobretudo, celebrar a grandeza de sua vida. Busca reconhecer um homem comum que se tornou extraordinário pelo exemplo de honestidade, perseverança e capacidade de inspirar outras pessoas a acreditarem que o esforço diário é capaz de transformar realidades", diz o vereador ao justificar a proposta.
O projeto ainda precisa ser analisado e votado pela Câmara Municipal de Salvador. Caso seja aprovado e posteriormente sancionado, o logradouro passará a ter oficialmente a denominação proposta.
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