Saúde

Sobape e Coamas orientam mulheres sobre amamentação e mercado de trabalho

Publicado em 08/08/2015, às 20h53   Paulo M. Azevedo   Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

Em todo o mundo, chega a 30% o total de famílias que dependem financeiramente de mulheres, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A necessidade cada vez maior de atuação no mercado de trabalho aumenta os desafios de conciliar o ambiente profissional com os cuidados da maternidade, em especial a amamentação.

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Esse cenário foi tema do encontro promovido nessa quinta-feira (6), na sede do Ministério Público da Bahia, pelo Comitê de Aleitamento Materno de Salvador (Coamas), com o apoio da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), que elencou ações de estímulo para que o aleitamento seja assegurado como alimentação exclusiva nos seis primeiros meses de vida, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para a neonatologista Ana Paz, responsável pelo Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto de Perinatologia da Bahia (Iperba) e representante da Sobape no comitê, ainda existe dificuldade em atender à norma da OMS no Brasil, uma vez que as leis trabalhistas garantem apenas 120 dias de licença maternidade. Na Bahia, profissionais de algumas categorias, através de mobilização, conseguiram estender o afastamento para 180 dias, a exemplo do Sindicato dos Bancários da Bahia, onde a Sobape realizou debate sobre o tema na quarta-feira (5).

Por outro lado, Ana Paz lamentou que "muitas vezes o desestímulo para a amamentação vem de profissionais de saúde" e desmistificou a tese de que o leite materno perde as propriedades após os seis primeiros meses de amamentação. "Ele é tão útil depois desse período, como antes", reforçou.

Para a criança, dra. Paz destacou que as propriedades do leite materno ajudam a prevenir doenças como asma, bronquiolite, doença celíaca, leucemia, infecções respiratórias, obesidade e até evitam morte súbita.

Além dos ganhos na saúde do bebê, há também benefícios para a mãe, que, a cada ano de amamentação, diminui as chances de ter artrite reumatoide em 20%, de câncer de mama e de ovário em 28%, de diabetes do tipo 2 em 12%, de hipertensão arterial em 11%, de doenças cardiovasculares em 10% e de dislipidemia (alteração no metabolismo das gorduras) em 10%. Em contrapartida, mães que não oferecem o peito tendem a sofrer com o excesso de peso.

Presente no encontro, o representante da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), José Raimundo Mota, repetiu promessas de ampliação dos Bancos de Leite Materno em Salvador, que atualmente funcionam apenas na Maternidade Climério de Oliveira e no Iperba. Mas segundo dra. Ana Paz, as unidades sequer têm estrutura para recolher com agilidade o leite nas casas das mães doadoras.

Também participaram da atividade o promotor de Justiça da Infância e Juventude, Carlos Martheo Guanaes, e a representante do Coamas, Andrea Vaz.

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