Saúde

Bahia pode ter lei que garante reconstrução de mamas às mulheres pela rede estadual de saúde

Projeto de lei quer oferecer cirurgia para todas as mulheres na rede estadual de saúde da Bahia  |  Feijão Almeida/GOVBA

Publicado em 03/03/2026, às 08h47   Feijão Almeida/GOVBA   Matheus Simoni

A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) analisa um projeto de lei que garante o direito à cirurgia plástica reparadora da mama para mulheres que sofreram mutilação total ou parcial, além de assegurar o acesso à informação sobre o procedimento na rede pública estadual. A proposta é de autoria da deputada estadual Ivana Bastos (PSD), que também é presidente da Casa.

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De acordo com o texto, o direito à reconstrução mamária será assegurado em unidades da rede estadual de saúde e também em instituições conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida contempla casos de mutilação decorrentes de câncer, infecções, traumas ou outras condições médicas.

O projeto prevê que a cirurgia reparadora deve ser realizada, preferencialmente, de forma imediata, junto à mastectomia, quando houver indicação médica e desejo da paciente. Caso isso não seja possível, o procedimento deverá ser garantido após a conclusão do tratamento. A proposta também inclui etapas complementares, como reconstrução do complexo aréolo-mamilar, micropigmentação, fisioterapia de reabilitação e simetrização da mama contralateral, com o objetivo de assegurar recuperação estética e funcional.

Outro ponto central do projeto é a obrigatoriedade de que as pacientes sejam informadas, de forma clara e acessível, sobre o direito à reconstrução mamária no momento do diagnóstico ou da indicação da cirurgia. A equipe médica deverá registrar formalmente que a paciente foi orientada sobre essa possibilidade. A proposta da deputada ainda garante às mulheres acompanhamento psicológico e multidisciplinar especializado durante o processo de recuperação, com foco na reabilitação física e emocional.

Na justificativa, Ivana Bastos destaca que a reconstrução mamária é parte essencial do tratamento oncológico e não apenas um procedimento estético. Segundo a parlamentar, muitas mulheres ainda desconhecem esse direito ou enfrentam dificuldades para acessar o serviço. "A reconstrução mamária não deve ser considerada apenas um procedimento estético, mas uma etapa fundamental do tratamento oncológico e da reabilitação da paciente", diz a parlamentar. A proposta também busca ampliar a cobertura para além dos casos de câncer de mama, incluindo outras causas de mutilação, e reforçar a importância do atendimento integral à saúde da mulher.

Cirurgia de reconstituição mamária ainda não é realidade para todos os casos em que a mulher sofre a mutilação (Foto: Camila Souza/GOVBA)

O texto ainda não tem data para ser votado na Alba. Atualmente, a reconstrução mamária é um direito garantido pelo SUS, mas somente para casos em que a mulher tenha sofrido em decorrência do câncer. O procedimento pode ser realizado no mesmo momento da retirada da mama ou em uma data posterior, conforme avaliação médica. No Hospital da Mulher, localizado no Largo de Roma, em Salvador, o serviço é oferecido para pacientes que realizaram o tratamento oncológico na unidade.

Dados do SUS publicados pelo mastologista brasileiro e estudioso no assunto Ruffo Freitas-Júnior apontam que, no período entre 2008 e 2014, a taxa de reconstrução mamária subiu quase 30%, contabilizando procedimentos imediatos e tardios. Antes, a cirurgia reconstrutiva da mama representava 15% dos casos. 

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