Saúde
Publicado em 05/02/2026, às 06h00 Reprodução / Freepik Leonardo Oliveira
Curtição de bloco, sol e horas na rua é a combinação perfeita para a folia que pode virar problema sério para o corpo se alguns cuidados básicos forem ignorados. O BNews Summer ouviu especialistas que trouxeram alertas sobre alimentação e cuidados com a pele para quem vai passar bastante tempo no Carnaval. Confira:
Riscos mais comuns
De acordo com a dermatologista Fabíola Leal, o Carnaval pode vir com o pacote completo com “queimadura solar, assaduras, alergias e até risco de insolação”, quando a proteção é deixada de lado. Os principais riscos para a pele de quem vai encarar blocos e trios são as queimaduras solares, que causam vermelhidão, ardor, descamação, bolhas e ainda aumentam o risco de manchas e câncer de pele a longo prazo.
Ela lembra também da insolação, que “pode evoluir para desmaio e confusão mental em calor intenso”, além de assaduras e irritações por atrito e suor em coxas, virilhas, abaixo dos seios e axilas, com risco de micoses e piora de dermatites.
Além disso, alergias de contato por maquiagem, tintas, sprays, cola de cílios, espuma, fantasia e glitter entram nessa lista, causando coceira, placas vermelhas e ardor. A médica chama atenção ainda para a fitofotodermatose, a famosa “queimadura do limão”, e explica que “encostou em limão ou laranja e depois pegou sol, pode fazer manchas e bolhas”.
Já o nutricionista José Gomes salienta que alimentação estratégica é essencial para foliões que querem curtir blocos e camarotes sem desidratação, quedas de energia ou mal-estar. Ele alerta que “uma alimentação inadequada pode levar à desidratação, queda de glicemia, mal-estar gastrointestinal, perda de disposição física e maior risco de intoxicação alimentar, comprometendo a saúde e a experiência do folião”.
Recomendações
Para quem vai passar muitas horas na rua, a orientação básica da dermatologista é protetor solar FPS 30, no mínimo. O protetor deve ser aplicado 15 a 30 minutos antes de sair de casa e reaplicado a cada 2 horas enquanto estiver ao ar livre, antecipando a reaplicação se houver muito suor, banho de mangueira, água ou se o folião se enxugar com toalha. "Se você pensa ‘já estou suando há um tempo’ ou ‘já faz horas que estou no bloco’, é hora de reaplicar”, orienta.
As chamadas “campeãs do esquecimento” são orelhas, nuca, pescoço, colo, mãos, dorso dos pés, couro cabeludo (linha da risca), pálpebras e lábios. A recomendação é encarar orelhas e nuca como “lugares óbvios” na hora de passar o protetor e retocar a cada 2 horas. Além disso, reaplicar nas mãos junto com o rosto, sempre após lavar, e proteger a risca do cabelo com spray ou pó específico ou barreira física, como chapéu ou boné são importantes.
Já o nutricionista José Gomes afirma que antes de sair para horas de bloco ou camarote, “a refeição deve conter carboidratos para fornecer energia contínua, proteína magra para prolongar a saciedade, legumes ou verduras e adequada hidratação”, enfatiza.
O ideal é a alimentação ser equilibrada e com pouca gordura, facilitando a digestão. Para encarar a maratona da folia, ele recomenda “priorizar carboidratos complexos, manter hidratação adequada ao longo do dia, fracionar as refeições e evitar longos períodos em jejum, garantindo energia e melhor desempenho físico”.
Entre os vilões a evitar antes de trio ou bloco estão “frituras, alimentos muito gordurosos, excesso de carne vermelha, preparações muito salgadas e o consumo de álcool em jejum, pois aumentam o risco de desconforto digestivo e desidratação”.
Demais cuidados
O lábio, segundo a dermatologista, “queima e resseca muito no sol”, por isso a indicação de um protetor labial com FPS 30 ou mais, reaplicado ao longo do dia, especialmente depois de comer e beber. Para quem sai sem chapéu e com a risca exposta, o couro cabeludo também pode queimar, e a orientação é combinar FPS acima de 30, reaplicação e proteção física com acessórios de cabeça.
Nas unhas, o excesso de acetona e removedor resseca a cutícula e, em quem usa alongamento ou gel, existe risco de alergia a acrilatos, com coceira, vermelhidão ao redor da unha, descolamento e até irritação em pálpebras e rosto por contato indireto.
Para pele oleosa ou com acne, a dica é apostar em protetor oil-free, de “toque seco”, não comedogênico, em textura gel ou fluida, evitar muitas camadas de maquiagem e remover tudo ao chegar em casa. Já para pele sensível, com rosácea ou dermatite, a prioridade são fórmulas sem fragrância e filtros solares de base mineral, além de evitar excesso de ácidos e esfoliantes na semana de folia.
O nutricionista traz um alerta para pessoas com doenças crônicas, “sim, pessoas com diabetes devem evitar jejum prolongado, hipertensos precisam controlar o consumo de sal e álcool, e quem tem problemas renais deve ter atenção ao uso de proteínas e bebidas isotônicas”, explica. Há também a relação com a pele. “Boa hidratação e consumo de frutas e vegetais auxiliam na manutenção da saúde da pele, enquanto o excesso de álcool pode favorecer ressecamento e inflamações”, complementa.
Combinações perigosas
A combinação maquiagem + glitter + suor + atrito é explosiva para a pele no Carnaval. A dermatologista reforça que o mais seguro é usar glitter cosmético e maquiagem de marcas confiáveis, nunca glitter de papelaria ou artesanato, e, em peles sensíveis ou alérgicas, priorizar produtos sem fragrância e fugir do “tudo muito perfumado”.
Entre os cuidados práticos, ela recomenda fazer um teste atrás da orelha ou no antebraço e aguardar 24 horas, especialmente para tintas faciais e colas. Também orienta evitar aplicar glitter e cola muito perto dos olhos e mucosas, já que a irritação ocular é comum, e, na hora de remover, nada de esfregar: o ideal é usar óleo de limpeza ou demaquilante e, depois, sabonete suave.
Outra combinação perigosa é a má alimentação com o álcool. O nutricionista explica que “o álcool favorece a desidratação, pode provocar queda de glicemia, sobrecarrega o fígado e aumenta o risco de ressaca e mal-estar geral”. Com isso, para quem vai beber, o conselho é “evitar beber em jejum, intercalar cada dose de álcool com água e manter uma alimentação regular ao longo do dia”.
Ele afirma que “uma alimentação baseada em carboidratos complexos, frutas, legumes e proteínas leves garante energia sustentada sem causar desconforto digestivo”, e para minimizar a ressaca, sugere “fazer uma refeição equilibrada antes do consumo de álcool, hidratar-se durante a ingestão e reforçar líquidos e alimentos leves após a folia”.
Sinais de alerta e recuperação pós-folia
Fabíola Leal indica procurar atendimento se houver bolhas extensas, dor intensa, inchaço importante, febre, calafrios, vômitos ou sinais de desidratação, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Para insolação, os sinais de alerta incluem confusão, fala enrolada, desmaio, convulsão, pele muito quente (seca ou suando demais) e piora rápida do estado geral. Suor intenso, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náuseas e pele fria e úmida que persistam por mais de uma hora ou piorem também exigem avaliação médica.
Já os sinais de desidratação, segundo José Gomes, incluem “boca seca, tontura e urina escura”, enquanto a hipoglicemia provoca “fraqueza, tremores, suor frio e confusão mental”. Ao notar esses sintomas, é essencial “interromper a atividade, sentar em local seguro, ingerir líquidos e alimentos ricos em carboidratos e procurar atendimento se os sintomas persistirem”.
Depois da festa, a ordem é reparar danos. Banho morno ou frio, sabonete suave e hidratantes para ajudar a recuperar a barreira cutânea. Se houver sol forte, a especialista recomenda compressas frias e hidratante calmante, evitando esfoliar e pausando o uso de “ativos” que irritam, como ácidos e retinoides, enquanto a pele estiver ardendo ou descamando.
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A aparição de manchas diferentes, feridas que não cicatrizam, coceira intensa ou placas vermelhas persistentes, especialmente após maquiagem ou cola, precisam ser avaliadas pelo dermatologista para diferenciar irritação de alergia e garantir o tratamento correto.
O nutricionista afirma que “uma alimentação baseada em carboidratos complexos, frutas, legumes e proteínas leves garante energia sustentada sem causar desconforto digestivo”, e para minimizar a ressaca, sugere “fazer uma refeição equilibrada antes do consumo de álcool, hidratar-se durante a ingestão e reforçar líquidos e alimentos leves após a folia”.
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