Saúde
Publicado em 28/09/2026, às 11h50 Joédson Alves / Agência Brasil Yuri Pastori
A nova Medida Provisória (MP) que proíbe a exploração, oferta e publicidade de apostas esportivas e jogos online foi baseada no colapso da saúde mental que afeta mais de 1,5 milhão de brasileiros, com o aumento nos casos de depressão, ansiedade e suicídios.
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A busca por tratamento contra a ludopatia teve uma alta superior a 600%. Com base nisso, o Ministério da Saúde passou a rastrear os apostadores pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para oferecer acompanhamento especializado.
Além dos prejuízos financeiros, a dependência em jogos causa transtornos no sono e humor, isolamento social, conflitos familiares, prejuízos profissionais e aumento no consumo de substâncias como álcool e drogas.
“Há dados que expressam o tamanho do problema, mas certamente não conseguem traduzir todo o sofrimento que aparece quando ouvimos os relatos de pacientes, profissionais de saúde e familiares”, alertou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Estamos falando de algo que vai muito além de uma atividade econômica: entra nas casas das pessoas, nas escolas e nos celulares, e afeta não apenas quem desenvolve um comportamento compulsivo, mas também os familiares que estão ao seu redor. Nós temos o autoteste disponível no Meu SUS Digital para que cada pessoa possa avaliar o impacto das apostas na própria vida", ressaltou o auxiliar do presidente Lula (PT).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo. As dívidas são o principal gatilho. Além disso, o risco do vício é três vezes maior em populações socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre apostadores online. Em 2023, do total de 28 milhões de brasileiros que apostaram, quase 11 milhões apresentaram um padrão de jogo de risco ou problemático.
Os atendimentos por jogo patológico no SUS registraram alta de 140% entre 2018 e 2025. A previsão é que esse número cresça mais 104% até 2028. Estudos do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estimam um custo social de R$ 38,8 bilhões anuais decorrente das apostas. Desse valor, R$ 30,6 bilhões, o que representa aproximadamente 79%, correspondem a gastos com saúde, tratamentos e perda de qualidade de vida por depressão e suicídios.
Pesquisas indicam que 20,4% dos estudantes de escolas públicas e privadas já apostaram online, com o primeiro contato a partir dos 11 anos de idade. O indicador chega a 49,7% entre meninos do 3º ano do Ensino Médio. Entre as mulheres apostadoras, 65% deixam de buscar ajuda médica por vergonha, e 12% das que não apostam relatam sofrer as consequências diretas do vício de parentes próximos.
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