Saúde
Publicado em 26/06/2025, às 16h56 Reprodução / Freepik Leonardo Oliveira
A detecção precoce do Alzheimer tem ganhado destaque com o avanço dos biomarcadores, substâncias no organismo que sinalizam a presença da doença antes mesmo dos sintomas clássicos, como a perda de memória. Esses marcadores indicam o acúmulo de proteínas amiloide e tau no cérebro, responsáveis pela degeneração das células nervosas.
Como os biomarcadores são detectados?
Existem três métodos principais para identificar esses biomarcadores:
Critérios para o uso de testes de biomarcadores
Apesar do avanço promissor, especialistas alertam para a necessidade de critério na utilização desses exames. O neurologista Tharick Pascoal, professor da Universidade de Pittsburgh (EUA), destaca dois cenários em que o teste de biomarcadores é mais indicado:
Impacto no tratamento ou prognóstico: Quando o resultado pode modificar o curso do tratamento ou a perspectiva de evolução da doença para o paciente.
Informações relevantes para a família: Quando o teste oferece dados importantes sobre o ritmo de progressão da doença ou o risco hereditário.
Pascoal ressalta que realizar o exame por mera curiosidade, em pessoas sem sintomas pode ser arriscado. Ele menciona casos nos Estados Unidos onde resultados positivos, mesmo que não significassem a manifestação iminente da doença, levaram a desespero e, em algumas situações, até suicídio.
"O biomarcador não é um oráculo. Ele detecta sinais da doença, mas não indica quando, ou mesmo se, ela vai se manifestar", alerta.
Desafios e limitações atuais
O neurologista Norberto Anízio Ferreira Frota, da Universidade de Fortaleza, compartilha a preocupação com o aumento da demanda por exames de sangue em indivíduos assintomáticos, impulsionada por ansiedade ou medo. Ele enfatiza que esse teste não é para rastreamento populacional.
Além do risco de falsos positivos, os tratamentos disponíveis atualmente ainda são limitados. A FDA (órgão regulador dos EUA) aprovou dois medicamentos, lecanemabe e donanemabe, que atuam na placa amiloide e podem retardar o declínio cognitivo, mas não curam a doença.
O donanemabe, por exemplo, oferece um ganho modesto de cerca de seis meses na desaceleração da progressão, com possíveis efeitos colaterais como inchaços ou sangramentos cerebrais.
Esses tratamentos, além de exigirem infusões regulares, têm um custo anual elevado, cerca de US$ 100 mil nos EUA. No Brasil, a obtenção desses medicamentos ainda depende de importação. Por isso, a decisão de realizar o teste e iniciar o tratamento deve ser discutida de forma transparente entre o paciente, a família e os profissionais de saúde.
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O futuro da medicina de precisão
Apesar dos desafios, os especialistas concordam que os biomarcadores representam um avanço significativo na medicina. A expectativa é de um crescimento da medicina de precisão, com exames cada vez mais específicos que indicarão a terapia ideal para cada indivíduo.
Contudo, é fundamental equilibrar expectativas e a realidade atual. "Ainda não há cura para o Alzheimer. Nenhum paciente se curou até hoje. O que temos são passos importantes. Mas precisamos ser honestos e responsáveis na forma como divulgamos essas informações", conclui Frota.
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