Saúde

Metade dos adolescentes acreditam que redes sociais fazem mal à saúde mental, revela pesquisa

Pesquisa do Pew Research Center mostra que metade dos adolescentes consideram redes sociais prejudiciais à saúde mental  |  Ilustrativa/Pixabay

Publicado em 22/04/2025, às 15h58   Ilustrativa/Pixabay   Cauan Borges

Um novo relatório do Pew Research Center, divulgado nesta terça-feira (22), mostra que quase metade dos adolescentes americanos acreditam que as redes sociais exercem um efeito majoritariamente negativo sobre pessoas de sua idade. O levantamento também indica que muitos jovens estão tentando, por conta própria, limitar o tempo gasto nas plataformas digitais.

A pesquisa ouviu 1.391 adolescentes estadunidenses entre 13 e 17 anos, além de seus pais, durante os meses de setembro e outubro do ano passado. De acordo com os dados, 48% dos jovens consideram que as redes sociais impactam negativamente seus colegas, um aumento significativo em relação aos 32% registrados na pesquisa similar feita em 2022. Por outro lado, apenas 11% enxergam um efeito majoritariamente positivo, e 39% acreditam que o impacto é neutro.

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Quando questionados sobre o impacto pessoal das redes sociais, apenas 14% disseram se sentir negativamente afetados, embora esse número também tenha aumentado em relação aos 9% de dois anos atrás. 

Ao mesmo tempo, 45% dos adolescentes reconhecem que passam tempo demais conectados, e 44% afirmam ter reduzido seu uso tanto das redes sociais quanto dos smartphones. Esses dados sugerem uma crescente autoconsciência entre os jovens sobre os potenciais danos relacionados ao uso excessivo da tecnologia.

O relatório chega em um momento em que cresce a pressão sobre as empresas de tecnologia para que adotem medidas de proteção voltadas ao público jovem. Nos Estados Unidos, o então Cirurgião-Geral Vivek Murthy chegou a sugerir que os aplicativos de redes sociais passem a exibir alertas semelhantes aos de produtos como álcool e tabaco, avisando sobre riscos à saúde mental. 

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Estados como Utah já implementaram legislações exigindo a verificação de idade nas lojas de aplicativos, com o objetivo de impedir o acesso de menores a conteúdos inadequados. Já a Austrália aprovou uma medida ainda mais rigorosa, proibindo o uso de redes sociais por adolescentes com menos de 16 anos.

Entre os depoimentos coletados pela Pew, destaca-se a fala de um adolescente que resume bem o sentimento de sua geração: “O uso excessivo das redes sociais parece ser a principal causa de depressão entre pessoas da minha faixa etária. As pessoas se deixam influenciar por opiniões de desconhecidos, o que acaba afetando profundamente sua saúde mental”.

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O relatório também apontou que os efeitos das redes sociais não são sentidos de maneira uniforme. Fatores como gênero, raça e etnia influenciam a forma como os adolescentes percebem o impacto dessas plataformas. Meninas, por exemplo, são ligeiramente mais propensas que meninos a relatar que o uso das redes prejudica aspectos como sono, produtividade, autoestima e saúde mental.

Esse padrão já havia sido observado em pesquisas anteriores, como um estudo de 2019 que apontava uma relação mais forte entre redes sociais e depressão entre meninas adolescentes, especialmente devido ao aumento da exposição ao bullying e à redução de atividades positivas, como o descanso adequado.

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