Saúde
Publicado em 22/01/2025, às 12h36 Ilustrativa/Pixabay Redação Bnews
As drogas criadas para imitar o hormônio GLP-1, como as famosas canetas Ozempic, Wegovy e Mounjaro, prescritas atualmente para o tratamento da diabetes tipo 2 e obesidade, podem reduzir o risco de desenvolver 42 doenças. Segundo um estudo da Universidade Washington em St. Louis, publicado na última segunda-feira (20) na revista Nature Medicine.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube!
Os pesquisadores analisaram históricos médicos de dois milhões de pessoas com diabetes tipo 2 entre outubro de 2017 e dezembro de 2023 na base de dados do Departamento de Veteranos (das Forças Armadas) dos EUA. As informações são do portal UOL.
Os pacientes de diversas idades, sexos e raças foram divididos em dois grupos: aqueles que tomavam remédios tradicionais (cerca de 1,5 milhão) como glipizida, sitagliptina e empagliflozina; e os que faziam uso das substâncias das "canetas emagrecedoras" (cerca de 500 mil) como semaglutida (Ozempic e Wegovy), liraglutida (Victoza e Saxenda) e tirzepatida (Mounjaro).
Structured programs to train the next generation of clinician scientists.
— Nature Medicine (@NatureMedicine) January 20, 2025
Comment from Anette Melk and colleagues @MHH_lifehttps://t.co/zAluhMZsXD
No entanto, não foi apenas o controle da diabetes que foi monitorada pelos cientistas. Eles também conferiram se as pessoas desenvolveram (ou não) 175 doenças. O grupo que utilizou as drogas injetáveis teve redução no risco de ter 42 doenças, descobriram os especialistas
Este tipo de medicamento tem o potencial de diminuir o risco de infarto, derrame e outras doenças cardiovasculares, confirmou o estudo. Com a perda de peso e o controle da glicemia mais eficiente proporcionada pelas canetas injetáveis, o paciente tem melhor saúde metabólica e menor risco de desenvolver as complicações mais comuns da diabetes tipo 2 e da obesidade. Esta conclusão já havia sido encontrada em pesquisas anteriores
O risco de ter transtornos de coagulação, metabólicos, cardiorrenais, doenças infecciosas, condições respiratórias (como doença pulmonar obstrutiva crônica), falência hepática e doenças inflamatórias intestinais também diminuíram em quem usava a caneta em vez da medicação tradicional.
As canetas foram associadas a benefícios à saúde neurológica e mental. Houve redução a risco de demência, doença de Alzheimer (-12%), convulsões e dependência de substâncias como álcool, cannabis (maconha) e opioides (-13%), no geral. Quem tomava este tipo de medicação ainda teve menor chance de sofrer com ideação suicida e automutilação (-12%), bulimia (-19%) e transtornos psicóticos como a esquizofrenia (-18%).
"É interessante que as drogas GLP-1 ajam em receptores expressos em áreas do cérebro envolvidas no controle de impulsos, recompensas e vícios, potencialmente explicando sua efetividade em frear o apetite", destacou Ziyad Al-Aly, coautor da pesquisa e diretor do Centro Clínico Epidemiológico do Sistema de Saúde de Veteranos de St. Louis, em comunicado à imprensa.
No entanto, as canetas aumentaram o risco de outras 19 doenças. Entre elas estão doenças ou desconfortos (náusea, dor abdominal e vômito) gastrintestinais, hipotensão, síncope, doenças reumáticas, pedra nos rins, nefrite intersticial e pancreatite medicamentosa.