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Saúde

Câncer de mama vai além da genética: fatores de risco também merecem atenção

Especialista e pesquisas mostram que os casos de câncer relacionados a outros fatores são mais comuns e alguns podem ser controlados  |  Práticas do dia a dia, que podem parecer simples, favorecem o aparecimento da doença - Elisa Martins

Publicado em 31/10/2026, às 18h00   Práticas do dia a dia, que podem parecer simples, favorecem o aparecimento da doença - Elisa Martins   Elisa Martins

As causas do Câncer de Mama podem ser diversas. Porém uma delas, quando expressada, geralmente acende mais alerta nas mulheres: histórico familiar. Ou seja, quando uma mãe, irmã ou até parentes mais distantes tiveram a doença, o que gera preocupação se a mulher tem ou não chances de passar pelo mesmo. 

Em entrevista ao Bnews, o Dr. Rodrigo Guindalini, oncologista clínico e oncogeneticista, ressalta que apenas 10% dos casos do câncer são derivados desse fator familiar. Esses estariam relacionados a mulheres que possuem na família características que justifiquem a investigação. 

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“Pessoas que têm vários casos na família, diagnóstico de câncer de mama abaixo dos 50 anos e a detecção em várias gerações seguidas podem levantar a suspeita de ter algum problema hereditário”, explicou.

No entanto, nem sempre o rastreamento genético encontra uma causa para as alterações dos genes naquela família. Ainda existe uma limitação nos estudos oncológicos para essa finalidade. 

“Para a minoria das pacientes encontramos uma causa. Uma em cada 10 somente. Ainda temos uma limitação no conhecimento. Pode ser por ainda não conhecermos todos os fatores genéticos que justifiquem o aparecimento de câncer de mama familiar”. 

Existem também situações em que mulheres de uma mesma família são diagnosticadas, porém não conseguem provar que há relação com parentes que também foram.

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É o caso das duas irmãs Michele e Carla Ribeiro, de 55 e 56 anos respectivamente. Ambas desenvolveram a doença de formas completamente diferentes. Uma delas está curada do câncer de estágio inicial. A outra ainda continua com os tratamentos contra a metástase, um estágio mais avançado da doença. Mesmo fazendo o teste genético, não encontraram respostas. 

“Minha avó faleceu de câncer, mas quando descobriu já estava avançado. Então não sabemos o que houve. Foi há muitos anos atrás. Não tinha todo esse estudo. Mas foi a única pessoa próxima de mim”, relatou Michele sobre a falta de informação que poderiam ajudar no teste. 

Além desse impedimento, há o fato de que, não é porque a mulher está em vulnerabilidade familiar que desenvolverá a doença. Contudo, isso aumenta as chances, principalmente se combinada a outros fatores. O médico explica a questão: caso uma paciente afirme que a mãe e a avó tiveram câncer de mama e deseje saber quais as chances de ter também, é preciso investigar, por exemplo, se ela é obesa, consome muita bebida alcoólica ou usa reposição hormonal. 

“Esses são fatores de risco que não podem ser ignorados. Então a gente vai adicionando essas informações, além do teste genético, numa calculadora para critérios clínicos”.  

As causas podem ser divididas entre aquelas relacionadas ao estilo de vida e outras não controláveis. 

Fatores do estilo de vida

Pesquisas indicam que determinadas práticas são consideradas mais arriscadas do que o fator genético.

Com bons hábitos de vida, a mulher consegue reduzir cerca de 40% do risco. "Se compararmos uma população de pacientes que tem obesidade, consome bebida alcoólica, é sedentária e uma outra que pratica atividade física, não bebe e tem peso adequado para altura, esta tem risco reduzido em 30 a 40%", afirmou o doutor. 

Fatores não modificáveis

Mesmo que a mulher se cuide, alguns pontos dependem do organismo e dificilmente podem ser controlados. 

Apesar do papel fundamental do estrogênio e da progesterona, a exposição prolongada a eles podem favorecer o desenvolvimento da doença. Essa situação pode acontecer em casos como:

"Alguns desses podem até ser planejados, mas outros não dependem só da mulher. Não  é tão tranquilo de tomar a decisão sozinha", concluiu.

No geral, não existe uma estrátegia que torne a pessoa imune ao câncer, mas pode reduzir as chances do desenvolvimento da doença ou favorecer o diagnóstico precoce. 

Classificação Indicativa: Livre


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