☰
✕

Saúde

Quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia: entenda as diferenças entre os tratamentos

O tratamento do câncer de mama varia conforme o tumor e a paciente, incluindo quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia  |  Freepik

Publicado em 11/10/2026, às 18h46   Freepik   Analu Teixeira

O tratamento do câncer de mama não segue uma fórmula única, enquanto algumas pacientes precisam passar por quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia, outras podem ser tratadas sem a necessidade de todas essas modalidades. A escolha depende das características do tumor, do estágio da doença e das condições individuais de cada mulher.

Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Segundo o Dr. Daniel Argolo, oncologista clínico e coordenador do serviço de câncer de mama do Hospital Mater Dei Salvador, os procedimentos têm funções diferentes e podem ser combinados ao longo do tratamento, conforme a necessidade de cada paciente.

A radioterapia é considerada um tratamento local, direcionado à mama ou à região dos gânglios linfáticos, quando indicado. O objetivo é eliminar possíveis células tumorais remanescentes após a cirurgia e reduzir o risco de a doença voltar naquela área.

Já a quimioterapia e a hormonioterapia são tratamentos sistêmicos, ou seja, atuam no organismo como um todo. A primeira utiliza medicamentos que circulam pela corrente sanguínea para combater células cancerígenas. A segunda, também chamada de endocrinoterapia, age bloqueando a ação dos hormônios que estimulam o crescimento de tumores com receptores hormonais positivos.

A quimioterapia pode ser realizada antes ou depois da cirurgia, enquanto a radioterapia costuma ser indicada após o procedimento cirúrgico. A hormonioterapia, por sua vez, pode ser mantida por um período prolongado, geralmente de cinco a dez anos, conforme a indicação médica.

Como o médico define o tratamento?

A escolha entre as diferentes terapias considera uma combinação de fatores, como o tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos, estruturas do sistema linfático, e as características biológicas identificadas nos exames da biópsia.

De acordo com Daniel Argolo, a quimioterapia costuma ser indicada quando existem características associadas a um maior risco de recorrência da doença. A avaliação inclui a presença de receptores hormonais e da proteína HER2, que ajudam a identificar o subtipo do câncer e a orientar a estratégia terapêutica.

Em algumas pacientes com tumores que apresentam receptores hormonais positivos, testes genômicos também podem auxiliar na decisão sobre a necessidade de quimioterapia, indicando se a inclusão desse tratamento pode trazer benefício.

A radioterapia tem como foco o controle local da doença. Ela é indicada para a grande maioria das pacientes submetidas a cirurgias conservadoras, que preservam parte da mama, e também pode ser necessária após a mastectomia, especialmente em casos de tumores maiores ou com comprometimento dos linfonodos.

A hormonioterapia é indicada quando os exames identificam receptores hormonais no tumor. Por isso, uma mesma paciente pode precisar de mais de uma modalidade ao longo do tratamento.

Subtipo do tumor influencia a escolha

O câncer de mama reúne diferentes subtipos, que apresentam comportamentos e respostas distintas às terapias. Por esse motivo, conhecer as características do tumor é fundamental para definir quais medicamentos ou procedimentos serão utilizados.

Nos tumores com receptores hormonais positivos, a hormonioterapia tem papel central. Dependendo do estágio da doença e dos resultados de exames complementares, algumas pacientes podem não precisar de quimioterapia.

Já nos tumores HER2 positivos, existem terapias-alvo desenvolvidas para agir especificamente sobre essa proteína, geralmente associadas à quimioterapia. Nos chamados tumores triplo-negativos, que não apresentam receptores de estrogênio, progesterona ou HER2, a quimioterapia tem papel importante e pode ser combinada à imunoterapia em situações indicadas.

Essas diferenças explicam por que pacientes com diagnósticos aparentemente semelhantes podem receber tratamentos distintos. A decisão é individualizada e considera tanto as características da doença quanto as condições clínicas da mulher.

Tratamento pode começar antes da cirurgia

A ordem das terapias também varia conforme o tipo e o estágio do câncer. Em determinados tumores maiores ou nos subtipos HER2 positivos e triplo-negativos, a quimioterapia pode ser realizada antes da cirurgia. Essa estratégia é conhecida como tratamento neoadjuvante.

Segundo o oncologista, a abordagem permite reduzir o volume do tumor, possibilitando, em alguns casos, uma cirurgia menos extensa. Também permite avaliar a resposta da doença aos medicamentos e utilizar essa informação para orientar as etapas seguintes do tratamento.

Em tumores pequenos e sem comprometimento dos linfonodos, a cirurgia pode ser o primeiro procedimento. O planejamento é definido desde o início, com base nos exames e nas características individuais de cada caso.

Quais são os efeitos colaterais?

Os efeitos adversos variam de acordo com a terapia utilizada e não aparecem necessariamente da mesma forma em todas as pacientes. O acompanhamento médico é fundamental para identificar sintomas, orientar cuidados e controlar possíveis complicações.

A quimioterapia pode provocar fadiga, náuseas, constipação, diarreia, queda de cabelo, redução da imunidade e alterações de sensibilidade nas mãos e nos pés, entre outros efeitos. Segundo Daniel Argolo, existem medicamentos eficazes para controlar as náuseas e, em determinados casos, o resfriamento do couro cabeludo durante as sessões pode ajudar a reduzir a queda de cabelo.

Na radioterapia, os efeitos mais comuns incluem cansaço, vermelhidão e aumento da sensibilidade da pele na região tratada. Em geral, essas manifestações tendem a regredir algumas semanas após o término das sessões.

Já a hormonioterapia pode provocar sintomas associados à redução da produção ou ao bloqueio da ação do estrogênio, como ondas de calor, insônia, irritabilidade, dores articulares e ressecamento vaginal. Também podem ocorrer alterações na saúde óssea, que precisam ser acompanhadas pela equipe médica.

Durante o tratamento, consultas e exames periódicos ajudam a monitorar a resposta às terapias e a identificar possíveis efeitos adversos. A prática regular de atividades físicas, a alimentação adequada e o suporte familiar também podem contribuir para a qualidade de vida e a continuidade do tratamento.

Medos e dúvidas antes de começar

A queda de cabelo, os impactos na rotina profissional, a sexualidade e a fertilidade estão entre as principais preocupações de mulheres que precisam iniciar o tratamento contra o câncer de mama. A incerteza sobre a eficácia das terapias também pode gerar insegurança.

Para o oncologista, essas questões devem ser discutidas desde a primeira consulta, com orientações individualizadas sobre os benefícios esperados, os possíveis efeitos colaterais e as formas de acompanhamento.

Mulheres que desejam engravidar no futuro também precisam conversar com a equipe médica sobre a preservação da fertilidade antes do início do tratamento, já que algumas terapias podem afetar a função reprodutiva.

O especialista destaca que os avanços no tratamento do câncer de mama permitiram abordagens mais individualizadas e melhor controle de diversos efeitos adversos. Muitas pacientes conseguem manter parte de suas atividades profissionais e familiares durante o processo, embora a experiência varie de acordo com a terapia e a resposta individual.

A orientação é manter uma comunicação constante com os profissionais responsáveis pelo cuidado e buscar informações confiáveis sobre cada etapa. Compreender a finalidade de cada tratamento ajuda a paciente a participar das decisões e a enfrentar o processo com mais clareza.

Classificação Indicativa: Livre


Tags