Saúde
Publicado em 21/09/2025, às 06h00 Ilustrativa / Pixabay Cauan Borges
No mês de conscientização sobre a importância da saúde mental, o debate sobre formas de cuidado ganha novos olhares. Especialistas apontam que a espiritualidade pode ser uma grande aliada nos momentos de maior fragilidade emocional.
Mais do que estar ligada a práticas religiosas, ela é compreendida pela psicologia como uma dimensão essencial da psique humana, capaz de oferecer propósito, pertencimento e resiliência diante das dificuldades da vida.
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Em entrevista ao BNews, a psicóloga Terena Cardoso, especialista em neurociência e comportamento, a espiritualidade fortalece a sensação de conexão e esperança do indivíduo.
“Ela pode ajudar a pessoa a sair de um padrão de comportamento mais difícil, como um transtorno depressivo maior, trazendo sensação de utilidade e coletividade. Já está comprovado cientificamente que práticas espirituais como oração e meditação estimulam o sistema nervoso parassimpático e reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse”, explicou.
Além de acalmar, essas práticas também impactam o cérebro de forma positiva. “A espiritualidade aumenta a atividade em áreas cerebrais ligadas à compaixão e ao senso de propósito. Nesses períodos de fragilidade, pode atuar como um amortecedor biológico e psicológico, ajudando a pessoa a recuperar resiliência e se sentir mais conectada com a vida”, completa Cardoso.
A psicóloga Geane Santos acrescentou que a espiritualidade funciona como um pilar de sustentação nos momentos de crise: “Ela é uma ferramenta poderosa, que conecta o ser humano ao divino, dando propósito, esperança e significado, principalmente a quem enfrenta situações de perda ou vulnerabilidade emocional. Nessas horas, é comum sentir-se perdido ou questionar o sentido da vida. A espiritualidade, então, se apresenta como uma estrutura de apoio, auxiliando na compreensão da vida e do sofrimento”, afirmou.
Para Santos, é fundamental entender que a espiritualidade não substitui o acompanhamento profissional: “São demandas distintas, mas que se complementam. A espiritualidade é mais uma ferramenta no caminho do autocuidado, da conexão e da superação. Atua como uma força interna que ajuda a mente e o espírito nos momentos difíceis”, pontuou.
A psicóloga Luciene Figueiredo, doutora em família e sociedade, destaca ainda o aspecto acolhedor da espiritualidade. Segundo a terapeuta, cada pessoa vive essa dimensão de forma única e deve ser respeitada nesse processo.
“Quando alguém busca força em uma oração ou em rituais que fazem sentido para ela, sente-se acolhida e compreendida. Isso mostra que, diante do sofrimento, existe um caminho de conexão com algo maior, algo que dá sentido à vida. A aceleração da vida urbana, capitalista e digital nos leva a um deserto emocional, e a espiritualidade nos devolve o sentimento de pertencimento”, avaliou.
Comprovado pela ciência?
Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm comprovado os benefícios da espiritualidade e das práticas meditativas na saúde mental. Estudos publicados em revistas científicas internacionais mostram que práticas como a oração, a meditação e o mindfulness estão associadas à redução da ansiedade, melhora da atenção e até fortalecimento do sistema imunológico.
Segundo a Associação Americana de Psicologia (APA), atividades espirituais estimulam regiões do cérebro relacionadas ao bem-estar, promovendo maior sensação de calma, esperança e resiliência. No Brasil, levantamentos feitos por universidades também apontam que a espiritualidade pode contribuir para a recuperação em tratamentos de transtornos emocionais.
Espiritualidade como ponte
Seja em comunidades religiosas, em rituais individuais ou em práticas de silêncio e reflexão, a espiritualidade aparece como uma ponte entre a vida interior e o mundo ao redor. Para os especialistas, cultivar essa dimensão pode ser um caminho de equilíbrio em uma sociedade marcada por pressões, perdas e incertezas.
“Mais do que um refúgio, a espiritualidade devolve às pessoas a sensação de pertencimento, de conexão com algo maior, seja esse algo chamado Deus, natureza, energia ou universo. Isso traz conforto e auxilia na reconstrução de um sentido para seguir em frente”, destacou Figueiredo.
No contexto do Setembro Amarelo, as especialistas reforçam que a espiritualidade não deve ser vista como solução única, mas como um recurso complementar que fortalece a saúde mental. Ao oferecer propósito, acolhimento e conexão, ela se mostra como uma aliada fundamental na construção de caminhos de superação e bem-estar.