BNews Turismo
Publicado em 10/04/2023, às 19h07 Rodrigo Salomón Cañas / pixabay Cadastrado por Téo Mazzoni
O setor hoteleiro brasileiro, atropelado pela pandemia, se recuperou e passa bem. No entando, embora turistas e viajantes corporativos tenham voltado, uma parte da equação parece viver ainda sob pandemia: o preço. Quem diz isso é Eduardo Giestas, CEO da Atlantica Hospitality. Segunda maior rede hoteleira do país, ela opera marcas como Hilton e Transamerica.
"O setor tem dificuldade em lidar com preço. O mercado hoteleiro reagiu mal à pandemia. Houve um movimento de manada de redução de preços, sem que houvesse qualquer aumento de demanda como contrapartida. As margens ficaram pressionadas e, se elas não se recuperarem, dificilmente o investidor vai ver como bom negócio expandir a hotelaria, ainda mais com esses juros", explica.
As diárias não ficaram estacionadas, porém. No caso da Atlantica, elas foram 27% maiores que em 2019, um aumento real (descontada a inflação) de 7%. A alta ajudou a rede a fechar 2022 com faturamento de R$ 1,75 bilhão, 52% mais que no último ano pré-pandemia.
"O problema é que, no setor hoteleiro, 2019 já não era referência, pois estávamos em recuperação naquele momento. Nossa base de referência real é 2013. E ainda estamos 20% abaixo daquele ano", acrescenta.
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"Por isso, para este ano, esperamos uma alta superior a 15% no preço das diárias. Será necessário. O reajuste é uma das premissas para o plano de expansão da Atlantica. No ano passado, a companhia já havia aberto 13 hotéis, além da integração de 24 unidades da Transamerica iniciada ainda em 2021. Isso proporcionou um aumento de 20% no número de quartos", afirmou.
Em 2023, já foram sete inaugurações, com 19 outras previstas. O plano é terminar o ano com 200 unidades, 3 mil quartos e cerca de R$ 2,3 bilhões em receitas, uma alta de 30%.
"Desde a pandemia, aumentamos nossa presença no setor de lazer, que foi o primeiro a se recuperar. Estamos aumentando nossa base, mas sem tirar o foco do filão de negócios, no qual sempre fomos fortes. E estamos dando muita atenção aos residenciais com serviços, que é um misto de Airbnb com hotéis", conta o CEO, acrescentando que o plano é que o nicho represente 25% das receitas em 5 anos.
Atesta o interesse da Atlantica no lazer sua entrada no segmento de multipropriedades no fim do ano passado. Trata-se da venda fracionada de hotéis—muitas vezes resorts —para pessoas físicas, que podem usufruir de estadias por algumas semanas no ano.
"É um instrumento importante para captação. Temos seis contratos na região gaúcha dos vinhos, por exemplo", afirma.
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