Vida
Publicado em 09/09/2026, às 06h00 Divulgação/CVV Analu Teixeira
Quase 56 mil ligações partiram da Bahia para o Centro de Valorização da Vida (CVV) apenas nos primeiros seis meses de 2026. Os dados ajudam a dimensionar a procura pelo serviço que, durante 24 horas por dia, oferece gratuitamente apoio emocional a pessoas que precisam conversar.
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Segundo levantamento dos relatórios do CVV, os cinco DDDs baianos somaram 55.998 ligações para o 188 entre janeiro e junho. O número considera chamadas atendidas e não atendidas. Mais da metade partiu do DDD 71, que abrange Salvador e Região Metropolitana: foram 29.181 ligações no período.
Apesar da demanda, a estrutura física do CVV na Bahia está concentrada na capital. Em entrevista ao BNews, Josiana Rocha, voluntária e porta-voz da instituição em Salvador, explicou que o estado possui apenas um posto, localizado no bairro de Nazaré. Atualmente, 38 voluntários estão vinculados à unidade.
“Na Bahia só existe o posto do CVV em Salvador, não temos mais nenhum outro posto. Então, a gente funciona aqui com os voluntários, alguns atendem de casa e outros atendem do nosso posto”, explicou.
Embora a ligação tenha origem na Bahia, quem está do outro lado da linha não precisa estar no estado. O 188 funciona como uma rede nacional e pode ser acessado gratuitamente de qualquer lugar do Brasil, 24 horas por dia. Assim, uma pessoa que liga de Salvador pode ser atendida por um voluntário localizado em outro estado.
De acordo com Josiana, a proposta não é oferecer aconselhamento, diagnóstico ou substituir o acompanhamento de profissionais de saúde. Durante o contato, o voluntário oferece um espaço para que a própria pessoa fale sobre o que está vivendo e sentindo.
“Nós não aconselhamos, nós não direcionamos. Nós conversamos com uma pessoa sobre o que ela nos traz. É ela quem diz o assunto, é ela quem vai se expressar, vai dizer o que sente e o que pensa. O foco é a pessoa e seus sentimentos”, explicou.
A porta-voz define o serviço como uma espécie de “pronto-socorro de apoio emocional”, disponível inclusive durante madrugadas, fins de semana e feriados.
Quem procura o CVV na Bahia ou em qualquer outra parte do país também não precisa informar nome ou localização. O anonimato e o sigilo estão entre os princípios do serviço. “Tudo que ela disser ao CVV fica no CVV. Você pode falar o tanto que precisar e não precisa dizer seu nome, de onde está falando. Não há identificação”, afirmou Josiana.
Para quem não se sente confortável falando por telefone, existem alternativas pela internet. O CVV mantém atendimento por chat e e-mail, também realizado por voluntários. O chat funciona em horários específicos ao longo da semana, enquanto o telefone 188 permanece disponível 24 horas por dia.
A única sede do CVV na Bahia permanece na Rua do Bângala, nº 47, no bairro de Nazaré, em Salvador. Apesar da existência do espaço, o local não mantém atualmente plantões regulares de atendimento individual presencial.
Segundo Josiana, o motivo é a quantidade insuficiente de voluntários para preencher os plantões necessários.
“Hoje a nossa sede continua lá em Nazaré, nós estamos lá [...], mas a gente não mantém o atendimento presencial porque não tem voluntário suficiente para cumprir os dias de plantão”, contou.
O espaço recebe, no entanto, um Grupo de Apoio aos Sobreviventes do Suicídio na terceira terça-feira de cada mês. A iniciativa acolhe pessoas impactadas pelo suicídio, incluindo aquelas que enfrentam o luto e sobreviventes de tentativas.
O CVV também pode realizar ações fora da sede. Mediante solicitação, voluntários participam de atividades em empresas, condomínios, instituições e comunidades, com iniciativas como rodas de conversa e plantões de escuta.
A falta de pessoas para manter o atendimento presencial também chama atenção para a necessidade de novos voluntários. Salvador conta atualmente com 38 pessoas atuando no CVV, enquanto a instituição reúne cerca de 3,2 mil voluntários em todo o Brasil, segundo Josiana.
Quem tem 18 anos ou mais pode se candidatar para fazer parte da rede. Para isso, é necessário se inscrever pelo site cvv.org.br e participar do treinamento oferecido pela instituição antes de assumir as atividades.
“Você que quer ser voluntário entra no nosso site, se inscreve, a gente vai te convidar para fazer o treinamento para assumir a atividade do CVV. Basta ter 18 anos e disponibilidade de tempo para estar disponível para o CVV”, convidou Josiana.
Na capital baiana, os voluntários podem realizar plantões diretamente no posto ou atuar remotamente de suas próprias residências. Eles também participam de ações em comunidades, empresas, condomínios e outros espaços.
Para quem precisa de apoio emocional, o CVV na Bahia pode ser acessado gratuitamente pelo telefone 188, durante 24 horas por dia. Também é possível conversar por escrito pelos canais disponíveis no site do CVV.