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Artigo

Tem pra quem quer e pra quem Pod

[Tem pra quem quer e pra quem Pod]
09 de Outubro de 2020 às 07:03 Por: Maurício Tavares

Dou aula de rádio há quarenta anos e estava ficando cansado com a mesmice da linguagem radiofônica, que muda muito lentamente e todo mundo copia um modelo de sucesso, mas de repente o podcast surgiu no início 2003, explodiu no Brasil dois anos atrás e todo mundo quis e quer fazer Podcasts.

Mas, afinal de contas, o que é um Podcast? Ele é um arquivo de áudio que pode ser hospedado em diferentes lugares (portais, sites, agregadores de áudio como o Spotify e o Anchor. Fm). Ao contrário do rádio, com as suas dificuldades de se conseguir uma permissão para operar e os custos de transmissão, o podcast é o filho bendito da era da Internet que voa livre, leve e solto. Além de ser um formato sem regras rígidas, ele também tem um custo operacional quase zero e qualquer pessoa com um bom aplicativo de gravação no seu celular pode fazer uma boa edição e ancorá-lo em algum agregador de áudio.

Além de barato e de fácil produção, ele permite uma liberdade de conteúdo e forma impensáveis em uma rádio com seus compromissos empresariais, políticos e seu pacto com a audiência. Se o rádio nos últimos tempos tem se segmentado o podcast pode chegar a ultra mega blaster segmentação. No meu caso que sou professor, gay e diabético posso fazer um podcast específico para esse grupo restrito. Os exemplos são muitos.

Os ávidos por novidades já estão decretando o fim do rádio. Devagar com o andor que o santo é de louça. Assim como a tv aberta vai resistir à tv por assinatura, os canais de streaming e o youtube, o rádio de massa também tem seu lugar nessa nossa babel midiática. Ele em sua essência que é o ao vivo tem o papel de falar para as pessoas e ser um mediador de problemas junto aos poderes, entre outras funções.

Ao contrário de ser um rival do rádio acho que o podcast é um dos mecanismos de sua salvação. É através dele que o rádio vai se renovar e não morrer junto com seus antigos ouvintes. Em nossa época a linguagem, e a língua, se renovam numa velocidade estonteante: vai ser ótimo, não foi? E os jovens que tinham abandonado o rádio para viver imersos na Internet agora descobriram o poder do áudio e da narratividade por meio do podcast. E esse novo instrumento de comunicação exige que os seus apresentadores tenham uma linguagem próxima da que fala nas ruas e o locutor-apresentador tem uma atitude mais de companheiro do que aquela voz superior que vem de algum lugar acima de nós. Prevejo um futuro fértil para o podcast e para o rádio. Durante muito tempo se falou que uma imagem vale mais do mil palavras mas na verdade nós somos apenas vozes.

 

Maurício Tavares é professor de Rádio da Facom/Ufba
 

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