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Urna made in Brasil que se cuide 

Imagem Urna made in Brasil que se cuide 

O arrastar da contagem dos votos manuais nos fez suscitar e endeusar a urna eletrônica brasileira

Publicado em 09/11/2020, às 05h57        Victor Pinto

Eu mergulhei além do que já mergulho no Twitter nos últimos dias para acompanhar o processo de apuração dos votos da eleição norte americana. A rede social do pássaro azul é a minha predileta seja para consumo de informação, escrever minhas opinões ou para me divertir através dos famosos memes, cujo Brasil é uma usina internacional. 

O arrastar da contagem dos votos manuais nos fez suscitar e endeusar a urna eletrônica brasileira. Produto nosso, simples, eficaz, ágil, 100% nacional. As brincadeiras na internet eram das mais diversas. Desde terça-feira de madrugada esperávamos qual seria o resultado que sairia do País mais poderoso do mundo. O desenrolar se arrastou por quatro dias e só no sábado tivemos a certeza das projeções: o novo inquilino da Casa Branca será Joe Biden em detrimento do negacionista intolerante republicano Donald Trump.

Ironia do destino ou não, aquele que governava pelo Twitter, Trump, foi massacrada pelo correios - modalidade escolhida por boa parte dos eleitores de Biden para não precisar se locomoverem às urnas. E são justamente esses votos os quais Trump questiona.

Não podemos reclamar da agilidade da nossa apuração que garante o resultado do vencedor uma ou duas horas depois do fechamento das seções. Mas a nossa urna e o nosso sistema informático de conferir os votos vão sofrer ataques nos próximos dois anos - não tenha dúvidas -, quiçá no pleito municipal próximo com inconformados com eventuais derrotas. 

Escrevi na semana passada sobre o recados do Tio Sam. O que acontece lá, respinga cá. O discurso trumpista - vale ressaltar que esse movimento vai permanecer vivo - de acusar fraude na eleição segue a narrativa bolsonarista sempre utilizada para causar, mas uma prova não é posta a mesa. 

O presidente Bolsonaro, inclusive, ao dizer que não confia no sistema eleitoral brasileiro ao querer impor a volta do voto impresso, somente o faz quando convém, mas chegou a ser eleito por diversas vezes deputado federal não questionou os votos recebidos. 

A urna é off-line, mas o caminho percorrido pela informação em cada rincão do Brasil até o sistema global é digital/virtual. O recente ataque hacker ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) só colocou lenha na fogueira do discurso dos negacionistas tupiniquins. 

Interligados ou não, Bolsonaro não é bobo. A queda de Trump nos Estados Unidos automaticamente não cava uma queda de Bolsonaro como muitos creem, inclusive membros da esquerda em comemorações efusivas. Ele tem dois anos pela frente para se reposicionar. E a Justiça Eleitoral, muito passiva, em atuações as quais deveria ser acachapante, se prepare: será o momento mais frágil de uma narrativa que pretende colocá-la em xeque. 

Victor Pinto é editor do BNews, jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. 

Twitter: @victordojornal

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