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Realidades pessoais

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Publicado em 26/04/2021, às 09h27        José Medrado

Os estudiosos do comportamento humano têm uma compreensão muito precisa do sentido, da noção de realidade, pois ela, afirmam, pode ser o mundo de ação sofrida ou realizada de fora, bem como a leitura do que há em nós. Disso surgem os móveis de seus desejos onipotentes. Freud chamava de realidade exterior, material ou realidade histórica ao que se opõe a realidade psíquica do indivíduo, do seu universo inconsciente, de suas fantasias, o que são para ele uma realidade concreta, onde muitos excluem inclusive a realidade exterior, o que está a sua volta, em processo de anulação sistemática desta realidade fora dos seus desejos.

A verdade é que muitos não conseguem lidar com a insuportabilidade do que os cientistas e pesquisadores afirmam, dizem-nos, gerando, consequentemente, um mecanismo de defesa para acreditar em opiniões e não em dados. É triste, nesse tema, por exemplo, sabermos que todo o ano de 2020 morreram por conta da Covid-19 194.976 pessoas, mas que em 2021 de 01/05 até a data de hoje, 25/4, já morreram mais do que o ano passado todo, ou seja, 195.949 pessoas. Vidas que importavam para alguns, muitos... e vemos que grande parte da população age como se nada estivesse acontecendo.

Muitos não conseguem lidar com frustrações, há um sentimento de não se pode, não se quer perder nunca, seja o que for surgindo, então, o processo de negação da realidade, a fim de se proteger do sofrimento, passando a ignorar o que, de fato, é importante, com base em posições de estudiosos, de pessoas que se dedicam ao tema, especializam-se no que falam, mas se ignora por conta de ledas opiniões. Infelizmente, o ser humano, em especial o brasileiro, sinto assim, cumpre, segue regras, hábitos que fica mais fácil se tem acesso a benefícios daquela ação, ou prejuízo caso não seja cumprida. Certamente, os que agem por descaso diante da gravidade da situação - ainda que sob certa estabilidade dos números de infectados e mortos, mas em patamares muito elevados -  não tenham tido alguém próximo com quadro grave, ou mesmo, lamentavelmente, morrido com a Covid-19. Sem medo de errar: por mais que as pessoas tenham informações, conhecimentos sobre o corona vírus, mas não tenham sentido de forma mais próxima e direta a doença, não se sentem comprometidas com os direitos e deveres coletivos, pois o foco será sempre, em geral, as questões pessoais. É preciso que atentemos que quando expomos as nossas opiniões, posicionamentos e crenças em quaisquer questões, estamos revelando o que somos interiormente. 

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