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Vacina sim, ações inteligentes e respeito ao MP

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Publicado em 07/06/2021, às 11h52    Divulgação    José Eduardo*


Venho defendendo a posição de que nós jornalistas somos um público fundamental, que já deveria ter sido incluído no Plano Nacional de Operacionalização – PNO, devido à essencialidade de nossa atividade. Nosso papel é informar e esclarecer a população e, em tempos críticos como o que estamos vivendo, informação e conhecimento são pontos cruciais para o enfrentamento à pandemia. 

Para que a população seja bem informada, é necessário realizarmos o nosso trabalho diário, amplo, árduo, perigoso e, muitas vezes, mal-entendido, como vimos agora com a negativa do Ministério Público em relação à vacinação da categoria. Os jornalistas baianos, pela primeira vez na história, se uniram por uma causa justa: garantir a vacinação dos profissionais a partir de 40 anos que estejam na ativa, nas ruas, nas filas de banco, nas unidades de terapias intensivas, nas UPAs, nos hospitais de campanha e em todos os locais de risco e aglomeração. O MP conseguiu nos unir ainda mais. 

Mas, em uma democracia, o que vale é o amplo debate de ideias, argumentos, sempre com fundamentos e referências técnicas e científicas. Portanto, não podemos deixar de enfatizar aqui o papel do MP, órgão garantidor dos direitos sociais e, neste caso, o direito à vida e também à saúde. Não enxergo intransigência por parte do Ministério Público com relação à classe, conforme amplamente divulgado por alguns jornalistas da nossa imprensa local. Não devemos atacar uma instituição que preza pela ordem e pela justiça indistinta para todos. O MP cumpriu o seu papel e recorreu ao STF para garantir a vacinação para toda a população de forma justa, obedecendo-se, principalmente, o critério etário e os grupos prioritários definidos pelo PNO.

A chefe do Ministério Público estadual, Norma Cavalcanti, é uma profissional de conduta ilibada, correta, com quase 30 anos de trajetória no órgão, legitimamente eleita por seus pares e nomeada pelo governador do Estado para comandar os destinos do MP. No extenso currículo, a atual procuradora de Justiça da Bahia passou por diversas promotorias, tendo sempre como foco fazer cumprir o dever do Ministério Público.

Mobilização, união e pleitos em favor de uma causa justa são atitudes legítimas e fazem parte da democracia. Mas, não podemos encaminhar o debate de forma a pessoalizar a questão, atingindo diretamente a imagem da procuradora com uma carreira reconhecida e respeitada. Isso é um ato de subversão à ordem.

Portanto, meus colegas, devemos seguir unidos, reivindicando de forma inteligente, com ações eficazes. O MP merece ter a nossa consideração e credibilidade, como sempre teve. Até porque somos jornalistas e devemos defender o campo democrático, onde é possível argumentar e contra argumentar, sem que esses atos se transformem em ataques direcionados, principalmente, a pessoas que compõem instituições sérias como o Ministério Público do Estado da Bahia.

Zé Eduardo é jornalista e radialista, apresentador da TV Record e âncora da rádio Metrópole FM*

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