Artigo
Publicado em 07/10/2024, às 22h00 José Medrado
É impressionante como um país, em seu contexto mais macro possível, sai das urnas com a sua vocação acentuada para a violência política. Eu vinha perplexo com a escalada de agressões dos candidatos a prefeito da maior cidade da América Latina, e quem agredia estava sempre crescendo nas intenções de votos dos moradores de São Paulo capital, e não falo isto por questões ideológicas políticas, de forma alguma, mas pelo viés da ética, dos princípios cristãos, os quais, inclusive, alguns se colocavam como representantes. Sei que ética política conta com toda já elástica razoabilidade dos fins e meios. Não eram ações com pantomima circense de um Tiririca, por exemplo, que tinha o slogan “pior que está não vai ficar”. Não. Eram agressões explícitas e despudoradas sem qualquer freio, inclusive das instituições eleitorais. Nesse sentido, é ingênuo supor que os eleitores não tinham formação ou mesmo informação, mas ao contrário, eles votam, acredito, em função da truculência moral e do vale tudo que têm em si. Isso ficou bem claro diante da fraude de um laudo médico, desmascarado no mesmo momento, mas que não alterou, ao que parece, em quase nada a disposição paulistana de fazer prefeito o possível orquestrador da trama. Não se trata de um deslize, mas de um crime. No Brasil, ao meu sentir, acabaram as pautas de discussão política, o debate público, pois o que se estabeleceu foi um ringue.
A sociedade precisa se conscientizar e dar um freio ao avanço desse modus operandi de vale tudo, onde, também, se usa até da religião em citações de textos que em nada valida o de que fala a boca, mas engabela os de boa-fé e crentes. Surge uma estratégia política e de poder por total desconstrução do que seja em essência a maioria da sociedade proba, honesta, trabalhadora do nosso País, ou não somos assim? Não creio que estejamos na maioria fomentadora de violência, de crimes...Ainda acalento que a maioria, sim, seja postuladora dos ideais verdadeiramente éticos e morais. O impacto social negativo que gente sem compromisso ético e tem liderança de massa enorme é imensurável, posto que reflete um conquistar vitória, sem limites para as suas já existente riqueza, prosperidade. Gente assim passa a imagem distorcida de quem é vitorioso, reafirmando uma superioridade falsa, ídolos de pés de barro. Vencer, pouco importam os meios e o preço, mas trabalha só a imagem. Alguém disse, li em algum lugar, que gente com esse víeis de ser é uma mistura perigosa de falsa superioridade moral, messianismo e delinquência política, tudo com estribo no próprio caráter.
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