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Fetiches, Desrepressão Selvagem e Pornografia da Vingança

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Bnews - Divulgação Arquivo pessoal

Publicado em 11/05/2025, às 17h32   Marcelo Cerqueira



O BNews repercutiu neste sábado (9) a matéria “Novas mensagens envolvendo o jogador francês Dimitri Payet”, que traz à tona um episódio íntimo transformado em escândalo público. Usurpando frases da nossa eterna tia Rita Lee: “Pegar fogo não é atração de circo, mas pode ser um caloroso espetáculo.” Como diria Jack, o Estripador: vamos por partes. O povo gosta de ver, mas ninguém quer passar por isso.

Todos nós temos quartos escuros — e não, não é coisa da nossa cabeça, é sério. São compartimentos onde guardamos desejos secretos, traumas, impulsos reprimidos e lados que raramente expomos à luz do dia. Esses "quartos da sombra" fazem parte da condição como gente, claro, às vezes se abrem quando estamos vulneráveis, apaixonados ou simplesmente desejando intensamente, de forma recíproca.

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Foi o que parece ter acontecido entre o jogador francês Dimitri Payet e a advogada brasileira Larissa Ferrari. Um tórrido envolvimento extraconjugal que, segundo ambos, envolvia práticas de fetiche e jogos sexuais de dominação e submissão. Entre os relatos, um episódio chamou atenção: Larissa afirma que foi incentivada ou coagida a beber a própria urina. Algo que, embora chocante aos olhos da moral convencional, pode estar dentro das práticas consentidas do chamado universo BDSM — onde muitas vezes ocorre uma desrepressão selvagem, liberando de forma intensa desejos reprimidos e fantasias profundas sob pactos claros de consentimento.

Essa prática do sadismo, sentir prazer com o aparente sofrimento do(a) parceiro(a), encontrou nas terras francesas um terreno fértil para se desenvolver, sobretudo com o Marquês de Sade, onde crueldade e prazer se entrelaçam. Os franceses, como se sabe, são libérrimos. Se você assistiu à série Outlander, percebeu o surgimento da depilação íntima como moda na corte e, mais adiante, uma cena em que a protagonista inglesa se submete e, ao ser questionada pelo marido sobre o que havia feito, ele apenas conclui: “Mas eu gostei muito.”

Sim, fetiches existem. E sim, são mais comuns do que muitos imaginam. Pessoas de todas as orientações sexuais, ao se apaixonarem ou ao encontrarem um parceiro de confiança, mesmo que apenas para uma relação carnal, podem se permitir explorar desejos, experiências e fantasias. Isso não torna ninguém inferior, doente ou indigno, ao contrário. O problema não está no desejo, mas no uso indevido da intimidade como arma. É preciso haver um pacto! Até onde um pode ir e até onde o outro aguenta.

Quando a relação termina e alguém resolve expor mensagens, fotos ou relatos de caráter íntimo com o intuito de constranger, vingar-se ou humilhar, temos um cenário claro do que a legislação brasileira reconhece como pornografia da vingança. A Lei nº 13.718/2018 trata dessa prática como crime:

Art. 218-C – Divulgar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual contendo cena de nudez, sexo ou pornografia, sem o consentimento da vítima. Pena reclusão de 1 a 5 anos.

Curta por um tempo, depois rasgue e jogue fora. Chore, mas jogue.

Ainda que no caso de Payet e Larissa as imagens reveladas não sejam explícitas, a divulgação de mensagens com teor sexual privado pode ser interpretada como uma forma de exposição da intimidade, portanto, configurar o mesmo tipo de violência moral e simbólica.

O que deveria ficar entre quatro paredes foi transformado em escândalo público, arrastando para o julgamento coletivo algo que deveria ser tratado entre adultos, com discernimento.

A sociedade, que muitas vezes se espanta mais com o fetiche do que com a violência, precisa compreender que o problema nunca está em gostar disso ou daquilo,  o problema está no desrespeito, na invasão da privacidade e na violência travestida de vingança.

Casais apaixonados, amantes casuais, relações abertas, heterossexuais, homoafetivas ou fluidas, todos podem cair na armadilha de se deixar conduzir pela fantasia. Isso é humano. O que nos define, no fim, é como lidamos com o fim da história.

Marcelo Cerqueira Mott - @marcelocerqueira.oficial

Classificação Indicativa: Livre

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