Artigo

Justificando erros

Arquivo pessoal

Justificar um erro é errar outra vez

Publicado em 21/03/2022, às 09h38    Arquivo pessoal    José Medrado

Não guardo, permita-me a primeira pessoa, caro(a) leitor(a), qualquer tipo de saudosismo, daquele que lembra o que passou e avalia se foi melhor ou pior. Passou. Naquele momento até o que você fez foi com base no que você era, naquele instante. Dessa forma, não sou de dizer que na minha infância...juventude o mundo era melhor, pior. Não. Penso que as questões ficam diferentes, e valores vêm para agregar novas atitudes de aceitação e respeito, em especial às pessoas. Naturalmente, como a quem ler este despretensioso, lembramos de ditados, axiomas proferidos pelos nossos pais, ou os que faziam o papel de e ou mesmo nossos professores. Um desses ditados que sempre ouvia era que “um erro não justifica o outro”. Ah! como se usávamos este argumento, em comparação com os melfeitos de um irmão, por exemplo. O judaísmo põe para pensar, ao afirmar que: “Justificar um erro é errar outra vez.”.

Infelizmente, o que estamos vendo nesses dias dos século XXI é exatamente as contestações de feitos ruins em comparação com outros, em uma espécie de olimpíada de que um erro pode ser aliviado, na quantificação com outro, como se isto fosse possível. Um erro sempre será um erro, fazer comparações ou sopesar com esteios em juízo de valor de atitudes, muitas vezes, que não guardam qualquer correlação de acontecimento ou consequências com as já cometidas e por outra pessoa, é de uma confissão de culpa sem tamanho. Folgamos com os erros alheios como se eles justificassem os nossos, ou os de quem amamos e ou admiramos, afirmava o Marquês de Maricá.Tolice.

A verdade é que gerar a manobra das vazias justificativas em comparação de nossos erros com os de outrém começa a ser uma espécie de chancela para se continuar errando, mascarando e prosseguindo. Não deixa de ser uma atitude medíocre, que não consegue justificar o feito e também covarde, por não assumir o que foi feito. Começa-se a se confundir o certo e o errado, em uma espécie de confusão de valores, de comportamento ético. O erro dos outros em nada justificará o nosso erro, naturalmente não falo aqui dos processos de distúrbios mentais, em situação de indução por fascínios.  

Estamos, de um modo geral, nivelando nossas fontes de argumentação em defesa de nossos atos e ou de quem admiramos por meio de uma vale tudo, onde inclusive mentir, inventar conta para “ganharmos” algum round daquilo que defendemos. Lamentável quem age assim por sistema, porque, inclusive, está evidenciando, desvio enfermiço de personalidade. Aí não se trata mais de um descomprometido com a verdade, mas de alguém que precisa de tratamento psicológico.

Classificação Indicativa: Livre