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Michelle Bolsonaro

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Confira o artigo de José Medrado  |   Bnews - Divulgação Divulgação

Publicado em 30/06/2026, às 00h20   José Medrado



Os veículos de notícias entraram em modo manchete com o pronunciamento da ex-primeria dama, Michele Bolsonaro, na semana passada. Ela como dizem por aí: “colocou fogo no parquinho.”

Analistas esmiuçaram o conteúdo, buscaram identificar intenções; outros falaram em movimento para se cacifar na disputa presidências, em suma: houve história para todos os lados. Estranhei, pessoalmente, que não vi analista algum fazem uma observação, que a mim foi translúcida – ela reagiu (e bem que fez) ao machismo que, segundo ela, vinha sofrendo, ainda que em momento algum dos seus quase trinta minutos de “desabafo”, ela só elencou exatamente o que as feministas abraçam em denúncias e ações de conscientização social. Honestamente, vi  uma contradição que precisa ser encarada sem rodeios: muitas mulheres conservadoras denunciam o machismo quando ele as atinge, mas rejeitam, combatem ou ridicularizam pautas históricas do feminismo que existem justamente para enfrentar essas estruturas.

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Ao tornar público que se sente desrespeitada pelos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle traz à tona um problema antigo: o lugar da mulher dentro de espaços de poder marcados por relações masculinas duras, hierárquicas e, muitas vezes, desconsideradoras da sua voz. O ponto, entendo, sem qualquer viés que não seja os da consideração sociais e psicológicas da estrutura de um povo,  não é discutir aqui quem tem razão no conflito familiar ou político. O ponto é outro: quando uma mulher percebe na própria pele o desrespeito, a invisibilização ou a tentativa de silenciamento, ela está diante de uma realidade que o feminismo denuncia há décadas. De outra parte,  é curioso observar como muitas mulheres que se dizem defensoras da família, da tradição e dos valores conservadores só reconhecem o machismo quando ele bate à sua porta. Antes disso, tratam a pauta feminista como exagero, vitimismo ou ideologia.

Entendo, de conclusão, que o feminismo, em sua essência, nunca foi sobre destruir famílias ou criar guerra entre homens e mulheres. Foi, e continua sendo, uma luta por dignidade, respeito e igualdade de espaço. Se mais mulheres conservadoras compreendessem isso, talvez houvesse menos resistência e mais avanço. Porque o machismo não escolhe ideologia. Ele não poupa mulheres de direita, de esquerda, religiosas ou laicas. Ele se manifesta onde encontra estrutura para isso. Negar essa realidade não enfraquece o feminismo. Enfraquece as próprias mulheres.

Talvez esteja na hora de entender que algumas causas não pertencem a partidos nem a grupos políticos. Pertencem à experiência humana. E o respeito à mulher é uma delas.

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