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Morrendo de medo do ChatGPT

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Jolivaldo Freitas é romancista e jornalista  |   Bnews - Divulgação Arquivo pessoal

Publicado em 21/04/2023, às 20h40   Redação


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Durante um tempo que vem a ser longo, nos questionamos sobre o que aconteceria se um robô pudesse assumir nosso trabalho, realizando cirurgias complexas, programando códigos, fazendo música, fornecendo atendimento ao cliente, redigindo contratos, ensinando, entre outras atividades. Essa questão que era absurdamente hipotética agora se tornou mais real do que nunca. É muito fácil ver o que está acontecendo, mas justamente pela facilidade muito mico vem sendo cometidos.


Boa parcela da população – os mais antenados, é claro – já ouviu falar do ChatGPT, uma complexa Inteligência Artificial (IA) desenvolvido para simular conversas humanas. Nenhum software jamais foi capaz de fornecer respostas tão detalhadas e semelhantes às humanas para perguntas antes. E isso tem atrapalhado o raciocínio até de cientistas que recentemente se juntaram no mundo civilizado para pedir que parem com as pesquisas sobre Inteligência Artificial por uns meses até que se consiga apreender o que está acontecendo e quais as consequências no futuro. Um cientista sem querer fez uma piada: “a Inteligência Artificial está me deixando burro”, ele falou. No que meu vizinho sabendo do comentário fez pior: “Nem me preocupo... já nasci sem inteligência”.


A OpenAI lançou o protótipo ao público no final de 2022 e, embora surpreenda até mesmo algumas das maiores figuras da tecnologia por suas habilidades avançadas de escrita, também é incrivelmente preocupante. Há muitas preocupações válidas associadas a essa tecnologia incrivelmente inovadora, desde a ameaça que ela representa para as escolas até o tratamento antiético daqueles que filtram manualmente o conteúdo tóxico dos dados de origem nos quais a IA é treinada.


Recentemente, o Google anunciou seu rival, chamado "Bard" e que estará disponível ao público dentre em breve. Brevíssimo, vez que o Google não perde tempo. O Bard funciona de maneira muito semelhante ao ChatGPT, que foi treinado usando IA. Essa revelação é bastante previsível se considerarmos a ameaça que o ChatGPT representa para o principal produto do Google, que é um mecanismo de pesquisa online. A tecnologia avançada está transformando a maneira como interagimos com o mundo digital, mas também é importante abordar as preocupações legítimas em torno de seu uso. Logo em seguida, no mês de novembro de 2022, a Microsoft lançou o Bing e em fevereiro liberou geral para quem quisesse usar a ferramenta.


Enquanto isso estive numa escola rural, no sertão baiano onde a lousa, o velho quadro negro que hoje é verde, a professora ainda usava lápis de giz e espirrava afirmando que tinha alergia ao pó. Ella não tinha computador e muito menos os seus 30 alunos de primeiro grau. Me disse que lá na sua região computador era só uma frase deselegante quando sua hérnia de disco estava ativa e a enlouquecendo. Acrescentou que naquele dia estava com grande dor. Não usou o palavrão que precedia a frase por causa das crianças. Se tivesse um notebook e uma linha de internet podia ver no ChatGPT as dicas para melhorar os sintomas.
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Romancista e jornalista. Email: [email protected]

O texto não reflete, necessariamente, a opinião do BNews.

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