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Neymar não pode jogar a Copa do Mundo, e a gente precisa entender (e aceitar) isso

Rafael Ribeiro | CBF
Antigo 'camisa 10' da Seleção Brasileira vive apenas — futebolisticamente — de raros lampejos  |   Bnews - Divulgação Rafael Ribeiro | CBF
Alex Torres

por Alex Torres

Publicado em 03/04/2026, às 04h00



Considerado o maior talento brasileiro dos últimos anos, Neymar caminha para um fim de carreira muito distante do que se imaginava para aquele garoto que fez boa parte do país assistir aos jogos de Santos, Barcelona e PSG. A realidade é que, aos 34 anos, o antigo 'camisa 10' da Seleção Brasileira vive apenas — futebolisticamente — de raros lampejos em um Peixe esfacelado e muita boa vontade daqueles que ainda acreditam em uma possível convocação para a Copa do Mundo.

Qualquer pessoa que gasta duas horas do precioso tempo para assistir ao jogador em campo pelo Santos percebe a dificuldade de performar em alto nível. Neymar é muito participativo, bem verdade, tenta buscar jogo o tempo inteiro, mas a triste realidade é que ele não consegue dar sequência a grande parte das jogadas, desde erros de passe, tomadas de decisão, grandes chances perdidas e até falhas que resultam em gol adversário, porque ele busca jogo até na defesa — o que não deveria fazer.

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Raul Baretta | Santos
Neymar tenta buscar jogo o tempo inteiro, mas a triste realidade é que ele não consegue dar sequência a grande parte das jogadas - Foto: Raul Baretta | Santos

Faço essa análise com bastante desânimo, porque, como a grande maioria dos amantes do futebol brasileiro, passei cerca dos últimos 15 anos admirando o futebol irreverente desempenhado por Neymar em seus clubes e, principalmente, com a camisa da Seleção Brasileira, onde ele conseguiu se tornar o maior artilheiro de todos os tempos, ultrapassando — em números — até o Rei Pelé. Apenas para conhecimento, o 'ex-craque' tem mais participações em gols (137) do que partidas jogadas (129) pela Amarelinha: são 79 gols e 58 assistências.

O declínio físico e técnico do jogador teve início ainda no PSG, apesar de considerar também ter sido em Paris onde ele viveu a sua melhor versão em toda a carreira, mais precisamente entre a saída do Barcelona e a chegada à França. Ao longo de quase toda a passagem, Neymar conviveu com muitas lesões que o impediram, por exemplo, de fazer mais do que 31 jogos em uma temporada — levando em conta que um clube europeu realiza em média cerca de 50 a 60 jogos por temporada.

Nesses momentos em que esteve longe dos gramados, a impressão que passou para o senso comum é que, em algum momento, Neymar 'desligou' o modo atleta e resolveu aproveitar a vida, dedicando-se a projetos paralelos que vão desde fazer streaming jogando videogame a participações em torneios de pôquer e investimento em um time chamado Furia FC, que disputa uma nova modalidade de futebol chamada Kings League, onde é presidente e embaixador.

Com o jogador já próximo do final da carreira, todas essas 'distrações' terminam cobrando um preço. Aos 34 anos, Neymar tenta executar algo minimamente próximo ao que ele fazia outrora, isso é nítido em campo, mas realmente o corpo já não responde da mesma forma. Acreditar em uma volta por cima teria que passar, acima de tudo, por uma mudança de mentalidade do próprio jogador, coisa que não se tem observado nos últimos meses.

Divulgação | Kings League
Neymar 'desligou' o modo atleta e resolveu aproveitar a vida, dedicando-se a projetos paralelos - Foto: Divulgação | Kings League

E vai para a Copa?

A grande questão que circundeia os últimos momentos da carreira do maior craque de sua geração seria se existe espaço no time atual para uma 'The Last Dance' com a Amarelinha nas terras do Mickey. Que fique claro: a última partida do craque com a camisa verde e amarela aconteceu há quase três anos, quando o técnico ainda era Fernando Diniz, em derrota para o Uruguai pelo placar de 2 a 0.

Desde então, Neymar chegou a se recuperar e se machucar novamente algumas muitas vezes, impedindo que ele tivesse qualquer mínima sequência com a Seleção, que ainda passou pelas mãos de Ramon Menezes, Dorival Júnior e agora do italiano Carlo Ancelotti, multicampeão com Milan, Real Madrid e muitos outros. Em clubes, o ex-craque fez recentemente seu 40º jogo desde que deixou o PSG, em fevereiro de 2023. Apenas em nível de comparação, Luciano Juba terminou 2025 pelo Bahia com 63 partidas disputadas — e muita bola jogada, sem receber oportunidade.

Assim sendo, acreditar em uma convocação de Neymar somente na última lista antes da Copa do Mundo seria contar com muita boa vontade de Carlo Ancelotti, que teria que resolver dar — de mão beijada — uma chance ao jogador, baseado única e exclusivamente naquilo que foi apresentado um dia. Mas é aquela velha história: quando alguém bate à sua porta, você pergunta "quem é?" e não "quem foi?". E hoje, Neymar está mais próximo do passado para a Seleção Brasileira do que de qualquer coisa que se assemelhe a uma pequena esperança.

Reprodução | Fifa
Neymar está mais próximo do passado para a Seleção Brasileira do que de qualquer coisa que se assemelhe a uma pequena esperança - Foto: Reprodução | Fifa

O saldo atual de carreira é que o jogador não atingiu o ápice que se esperava, apesar do gênio que foi — e com todos os méritos — com a bola nos pés. Assim como muitos que tiveram seus áuges entre 2008 e 2020, o brasileiro viveu a sombra dos melhores anos de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. E, quando argentino e português declinaram tecnicamente, o 'bonde da história' já havia passado para o 'camisa 10' da Seleção Brasileira. Diante disso, só sei que vou ter trabalho de explicar para meus filhos e netos de como Rodri e Dembelé têm Bola de Ouro, e Neymar não.

*Este artigo reflete exclusivamente a opinião do autor e não representa, necessariamente, a posição editorial deste portal. 

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