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O Rui 14 não é o Jerônimo 22

Imagem O Rui 14 não é o Jerônimo 22

Querem comparar Jerônimo como novo Rui, mas os contextos eleitorais são totalmente diferentes

Publicado em 28/03/2022, às 06h00        Victor Pinto

Quem é Jerônimo? É uma pergunta recorrente da massa e de alguns até entendidos de política quando explicado não ser mais Jaques Wagner (PT) ou Otto Alencar (PSD) o candidato da base ao governo, mas Jerônimo Rodrigues (PT). O ainda desconhecido secretário da Educação terá uma árdua missão pela frente ao assumir ser o porta-estandarte do grupo petista e de um teodolito manco.

Os mais otimistas cravam o professor e ex-secretário de Desenvolvimento Rural como um “novo Rui”. Acho inocente e até precipitado apontar isso.

Vejamos: o Rui 2014, quando ungido por Wagner para concorrer ao Palácio de Ondina, contrariando até Lula (PT) que preferia José Sergio Gabrielli, estava em um contexto muito mais favorável do Jerônimo 2022. Naquele ano havia somente oito anos de governo petista na Bahia, bem avaliado, com o governo federal favorável, apesar da acirrada campanha de Dilma Rousseff (PT) para o segundo mandato.

Rui Costa já havia sido testado nas urnas. Veio de uma eleição perdida em 2006 para deputado federal, mas carregou a pasta das Relações Institucionais de JW, venceu a eleição para deputado em 2010 e ficou um bom tempo na Casa Civil.

Jerônimo vem de uma pasta que não teve projeção nos últimos anos, pois a Saúde foi a área que surfou nas imagens e opiniões públicas por causa da pandemia, foi “parido” de uma celeuma da base envolvendo rompimento do PP, não tem o governo federal a seu favor e 16 anos de desgaste da esfera pública deve cair nas suas costas.

Ambos puderam contar com a imagem forte de Lula. Jerônimo deve ter mais vantagem do que Rui, pois desta vez terá o próprio ex-presidente na urna numa busca simbólica de retomada de poder.

Outro peso do contexto diferente: o adversário. Rui, apesar do desconhecimento e ter iniciado bem pior do que Jerônimo começou nas pesquisas, enfrentou Paulo Souto (UB) e Zé Ronaldo (UB), esta última eleição foi um passeio. Jerônimo agora enfrentará o maior opositor da base que é o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), com jeito de popstar, com a vitrine da prefeitura da Capital e com estratégia interessante do palanque aberto para presidência da República.

Jerônimo, desde 2019, deveria ter sido pavimentado para tal. Mas não foi. É um ser político muito mais simpático do que Rui, seja para a massa, seja para a classe política. Carrega a experiência do contato com o setor agro, dialoga bem com as raízes do PT e tem cara de interior. A sua tábua de salvação será a tática do time de Lula colar mais uma vez.

As recentes pesquisas deram uma animada na militância petista que achava uma eleição quase perdida, mas agora apontam um páreo duro quando casado com o nome do ex-presidente. A receita do bolo que deu certo nas quatro últimas campanhas deve ser repetida desta vez, mas, como disse, o contexto agora é totalmente diferente.

Se surgir êxito desse movimento, a vitória, sem sombra de dúvidas, é de Rui que conseguirá fazer um sucessor - mesmo a base do rompante -, mas caso venha a perder espero que assuma a derrota, algo que não fez quando coordenou a campanha de Salvador em 2020 e não deu o braço a torcer sobre seu pífio movimento em torno da majoritária. O petista, inclusive, nem compareceu e deixou Major Denice sozinha na coletiva pós-resultado da eleição.

Victor Pintoé editor do BNews e âncora do programa BNews Agora na rádio Piatã FM. É jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. É colunista do jornal Tribuna da Bahia, da rádio Câmara e apresentador na rádio Excelsior da Bahia. Twitter: @victordojornal

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