Artigo
por Henrique Brinco
Publicado em 15/10/2024, às 16h28 - Atualizado às 17h09
Nem bem as urnas eletrônicas foram guardadas nos galpões da Justiça Eleitoral após a eleição municipal de 2024 e já começaram os cálculos políticos e articulações para 2026. Na Bahia, especificamente, a briga promete ser mais animada - em contraste com o marasmo da eleição em Salvador neste ano.
Um recado eloquente do senador Angelo Coronel ao PodZé marca o início da corrida estadual: o de que não tem "aptidão para ser o vice" na eventual chapa de reeleição de Jerônimo Rodrigues. O cacique do PSD joga um problema no colo da campanha petista, que precisa ser resolvido desde já para evitar maiores traumas mais à frente.
Os governistas terão que distribuir os egos e interesses pessoais em apenas quatro vagas majoritárias (governador, vice e duas cadeiras ao Senado). O problema é a grande quantidade de interessados nestes postos. Com a máquina na mão, Jerônimo já está garantido. Jaques Wagner e Rui Costa também estão querendo garantir seus nomes à senatoria. Sobraria a vice para Coronel, que já deixou claro que não quer nem ouvir essa proposta.
Ronaldo Carletto, por sua vez, também vai querer abocanhar uma das vagas ao Senado (o Avante elegeu o segundo maior número de prefeituras da Bahia). E não podemos esquecer nessa conta o fator MDB, mesmo com a derrota acachapante de Geraldo Júnior em Salvador. O partido saiu forte no interior. Vão tirar a prerrogativa do "líder" de se reeleger, conforme já lembrou Geddel logo após a entrevista de Coronel ser exibida? São muitas contas que precisam ser feitas.
Do outro lado, é inegável também o fato de que ACM Neto já está em campanha, com ataques praticamente diários ao Palácio de Ondina nas redes sociais e em notas à imprensa. E também está com as portas abertas para quem quiser aderir ao seu projeto. O ex-prefeito, contudo, tem fama de ser cauteloso e só vai embarcar numa nova tentativa estadual se realmente tiver chances de vencer.
No geral, os próximos dois anos prometem ser de bastante animosidade nos bastidores. E o PT precisa, inclusive, voltar a dialogar com o "chão da fábrica". Ficou claro em 2024 que a força individual dos seus principais líderes, por si só, já não é mais suficiente para mobilizar a militância.
*As opiniões expressadas no artigo não necessariamente refletem a opinião do BNews.
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