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Será subqualificação?

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Confira o artigo de José Medrado  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 15/09/2026, às 07h50   Redação



Não sou aficionado por futebol, mas gosto, e tiro muito , de tirar onda com os torcedores do Vitória quanto ao seu time e as vitória do Baheeea sobre ele. Mesmo não sendo fanático – penso ser curioso, nunca fui fanático por nada, ídolos...essas coisas – mas reconhecço que o Brasil é um país apaixonado por futebol. O futebol está na nossa cultura, nas conversas, nas ruas, nas famílias e na identidade nacional. Mas existe uma pergunta incômoda: essa paixão é realmente pelo futebol ou, em grande parte, pelo futebol masculino?

O paradoxo surge  quando olhamos para as mulheres: Em 2026, o Bahia feminino vive um momento histórico - pela primeira vez, a equipe chega às quartas de final do Campeonato Brasileiro e vai enfrentar o Corinthians em busca de uma vaga na semifinal. É uma conquista importante para o clube, para o futebol baiano e, sobretudo, para as mulheres que há décadas lutam para ocupar um espaço que deveria ser naturalmente delas. Mas quantos baianos e, em especial, torcedores do Baheeea sabem disso?

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Quantos acompanham os jogos? Quantos discutem escalações, resultados e desempenhos das jogadoras com o mesmo entusiasmo dedicado aos homens? Talvez esteja aí uma questão que ultrapassa o esporte. A pouca atenção dada ao futebol feminino pode ser um sintoma de uma espécie de subqualificação cultural das mulheres: não porque elas tenham menos capacidade, mas porque a sociedade ainda lhes concede menos reconhecimento, menos visibilidade e, consequentemente, menos investimento.

É um círculo perverso. Se há menos público, há menos exposição. Com menos exposição, chegam menos patrocínios. Com menos recursos, torna-se mais difícil estruturar equipes, formar atletas e construir grandes competições. E depois se usa a falta de audiência como argumento para justificar a desigualdade. Entendo que não se trata de obrigar ninguém a gostar de futebol feminino. Trata-se de perguntar por que tantas pessoas sequer lhe dão a oportunidade de ser conhecida? O Bahia feminino estará diante do Corinthians por uma vaga na semifinal. Pode vencer ou perder. Mas há uma vitória maior acontecendo antes mesmo de a bola rolar: a conquista do direito de ser vista. Talvez o problema não esteja na qualidade das mulheres. Talvez esteja na qualidade do nosso olhar sobre elas.

Classificação Indicativa: Livre

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