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Torturas

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Publicado em 18/04/2022, às 09h10    Divulgação    José Medrado

Os mecanismos de defesa foram investigados primeiramente por Freud, onde ele aponta como formas universais, ou seja, todo mundo faz uso deles, em maior ou menor escala. O uso excessivo desses mecanismos pode abrir as portas para os transtornos psicológicos. A função desses mecanismos é diminuir a tensão e ansiedade causadas pelas situações adversas pela qual o ego passa, como forma de tentar anular tais inquietudes. A negação é um deles, funciona em recusas, em aceitar a realidade, pois a verdade pode ser dolorosa demais para o indivíduo conseguir lidar com ela. Dessa forma, imaginar que na ditadura militar não houve tortura, transcende mais que uma negação, é, verdadeiramente, criar um mundo paralelo e tentar encontrar Alice. Vemos, no entanto, muitos tentando refazer um processo já estruturado na memória coletiva, mesmo considerando que a História, em seu sentido geral, tem sido imposta, seleciona e ordena os fatos segundo alguns critérios e interesses do momento, construindo, assim, zonas que se tentam esquecer, redefinir com falsas e mentirosas “narrativas”. A ditadura militar torturou, sim, e de forma cruel. Talvez com os áudios divulgados nesse domingo (17) no Fantásticos, nascidos de oficiais de alta patentes da era de chumbo, reposicionem alguns em negação, ou não. É possível até que essas autoridades militares de então venham a ser chamadas de comunistas também.

Destituídos do senso de responsabilidade ética, muitos refazem, ajustam fatos consagrados nos processos históricos da humanidade, a fim de repousarem suas versões e visões, tendo apenas como objetivo dar sustentação aos seus interesses, ignorância e ou apenas por pura falta de empatia. Justificar, por outro lado, que alguém merece ser torturado, seja por qual motivo for, entendo que são indivíduos cujos sentimentos são tremendamente deficitários, pobre e com grande ausência de afeto, ou mesmo de sentimento de civilidade.

Assim, e o fato, é que apesar de ondas e mais ondas de desinformação, não se consegue silenciar ou mesmo esconder a produção de lembranças e resgates de fatos que constituem a verdadeira história. Não se criam memórias, elas podem ser afundadas, submergidas, mas sempre vem à tona. Houve sim violação de direitos humanos ocorrida naquele período, o que para muitos foi um terrorismo de Estado. Não se trata, portanto, apenas de omissão, conivência e/ou tolerância por parte de muitas autoridades e da sociedade em geral para com tais questões, mas de uma história silenciada, que aceitou e o pior ainda estimula em alguma medida, em dias atuais, os mesmos procedimentos.

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