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Bancada rural e lideranças do agro criticam medidas do Governo para reduzir preços dos alimentos; entenda

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Setores alegam que Executivo quer jogar culpa da inflação no agro  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik

Publicado em 27/01/2025, às 09h59 - Atualizado às 10h18   Publicado por Vagner Ferreira



O Governo Federal anunciou, nesta sexta-feira, uma série de medidas, como a redução de alíquotas para importação de milho, com o objetivo de reduzir o encarecimento dos alimentos no país. Entretanto, segundo informações do portal Globo Rural, a bancada ruralista e as lideranças do setor agropecuário criticaram as propostas, alegando que o Executivo não corta gastos e quer jogar a culpa da inflação no agro.

“A ideia de diminuir tarifas de importação de gêneros alimentícios é mais uma medida desesperada e mal pensada do governo que insiste em ignorar os problemas macroeconômicos, o controle inflacionário, câmbio descontrolado e gasto público exorbitante. A desconfiança do mercado e a falta credibilidade agravam a situação”, disse o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), conforme informações da reportagem.

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“A inflação como um todo, não apenas dos alimentos, está descontrolada pela falta de capacidade e compromisso do governo em cortar seus próprios gastos e ter o mínimo de responsabilidade com as suas contas”, continuou.

Já a ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina (PP-MS) informou que o Governo quer se abster de sua responsabilidade. “Não vejo motivos para a importação de alimentos. O governo mais uma vez não faz o dever de casa de cortar gastos, cria desconfiança que gera aumento de inflação, de juros e do dólar. É isso que está aumentando os preços. Não há nenhum desequilíbrio no agronegócio brasileiro”, contou, segundo o Globo Rural. 

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse, em coletiva no Palácio do Planalto, que o milho pode ter taxa reduzida e ganhar paridade internacional. Mas o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, acredita que pode haver um equívoco na análise do Governo.

Para Fávaro, o preço do cereal, que está mais alto no Brasil do que no exterior, pode resultar em corte de taxas. “A justificativa que o mercado internacional está mais barato que o mercado interno é equivocada, senão não seríamos o segundo maior exportador de milho do mundo”, contou à reportagem. “Uma notícia como essa no momento em que os produtores estão se programando para o plantio da segunda safra – que poderia chegar a superar 100 milhões de toneladas – pode trazer desconfiança e desestímulo ao plantio”, acrescentou.

O milho fechou, nesta sexta-feira (24), com cotação em R$ 75,15 na saca de 60 quilos. Sobre o encarecimento, Bertolini avalia que não é apenas do milho. “Agora é uma época pré-safra e plantio da segunda safra de milho, período em que é comum observar variações de preços em diferentes regiões. O preço mais alto normalmente está na praça de Campinas (SP), tanto é que a B3 tem o mercado futuro do cereal baseado nesse mercado”, explicou.

O Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA) se posicionou alertando que a redução de alíquotas de importação exige cuidados e que uma das medidas possíveis é por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Agricultura Familiar. O Brasil foi o maior exportador mundial de milho em 2023, com venda de cerca de 30% para o exterior.

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