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Comunidade quilombola da Chapada Diamantina é resistente à instalação de torres eólicas; saiba motivo

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Moradores locais temem impactos e são contra instalação de energia eólica; entenda  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 17/06/2025, às 08h51 - Atualizado às 09h59



A empresa paraense CER Energia está com planos de instalar turbinas eólicas em algumas cidades da Chapada Diamantina, na Bahia. De acordo com informações do portal Folha de S. Paulo, os municípios de Riachão, Caraíba, Olhos D’água Novo e Pau de Gamela já firmaram acordo para arrendamento de permissão. No entanto, a comunidade quilombola de Tiririca de Cima, que possui uma média de 70 habitantes, teme os impactos do empreendimento. 

Por se tratar de uma comunidade quilombola, todos precisam autorizar a instalação, conforme assegurado por lei. O licenciamento foi cedido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) em 2024. Mas a moradora e presidente da Associação Comunitária de Produtores Rurais de Tiririca de Cima, Ana Paula Santos, disse que era comum que fossem feitas visitas  de surpresa nas casas, vistorias e reuniões sem aviso prévio.

"Já citaram que somos fracos, que não temos dinheiro, que deveríamos aceitar [o parque eólico] por causa de dinheiro. São formas mais pesadas que eles falam, que dói", comentou Ana, segundo a reportagem. "Eu sempre pontuo que dinheiro não é tudo na vida, ainda mais quando é migalha”, continuou ela. 

A empresa, por sua vez, disse que não entra em contato com a comunidade há um ano e meio. "A Centrais Eólicas Carnaubal suspendeu tratativas no intuito de permitir que a comunidade delibere livremente e forme entendimento sobre seguir ou não”, comunicou, segundo o jornal Folha. 

A estimativa era de que a empresa realizasse o pagamento anual de R$ 10 por hectare, contabilizando R$ 16.070 anuais para a área, que possui 1.607 hectares. Dividido para os 70 moradores, ficaria uma média de R$ 228 reais para cada um. Depois, quando já estiver vendendo energia, o valor passaria a atender por 1% da receita bruta da energia gerada no local. 

Dentre os principais motivos para que os moradores de Tiririca de Cima sejam resistentes à instalação das turbinas eólicas estão os possíveis barulhos no local, podendo provocar um êxodo rural, além de impactos relacionados à saúde vegetal e populacional e à interferência da nascente que tem no local. 

Ana Paula disse que começou a pesquisar os impactos das torres em outras comunidades e não gostou do que viu. Ainda, contou que outros proprietários que permitiram se mostraram arrependidos.

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