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Bahia Farm Show: FAEB mapeia novas fronteiras agrícolas da Bahia e cobra avanço estratégico contra gargalos de produção

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Durante a Bahia Farm Show, Humberto Miranda e Carminha Missio analisam a consolidação do setor, debatem hidrovia do São Francisco e lançam portal de informações  |   Bnews - Divulgação Devid Santana / BNEWS
Antonio Dilson Neto e Lucas Pacheco

por Antonio Dilson Neto e Lucas Pacheco

Publicado em 11/06/2026, às 18h52



A consolidação do agronegócio baiano e os caminhos para superar os históricos desafios de infraestrutura e comunicação centralizaram os debates da diretoria da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) durante a 20ª edição da Bahia Farm Show.

Em entrevista ao BNews, a cúpula da entidade avalia que o momento atual não é apenas de comemoração pelos recordes sucessivos de produtividade, mas de planejar a expansão do setor para novas regiões do estado.

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Para o presidente da FAEB, Humberto Miranda, a feira reflete a união entre pequenos, médios e grandes produtores, evidenciando uma evolução estrutural nítida nos últimos 15 anos. Questionado sobre a recente declaração do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que rotulou o Oeste baiano como a "nova fronteira agrícola" do país, Miranda ponderou que o reconhecimento chegou para coroar o trabalho e a produtividade da região.

Nós, baianos, já temos esse sentimento de que essa fronteira agrícola não é mais nova, já é uma fronteira consolidada. Nos últimos anos, temos batido recordes na produção e na produtividade de soja e de algodão, com os maiores índices do Brasil. Nós todos da Bahia já temos essa gratidão e esse reconhecimento pelo que a região é capaz de fazer”, afirmou o dirigente.

Miranda acrescentou que o modelo de sustentabilidade do Oeste, baseado em nascentes protegidas, uso intensivo de bioinsumos e otimização de água na irrigação, serve de espelho para os próximos eixos de desenvolvimento do estado. O presidente da FAEB projeta que as regiões de Barra e do Baixio de Irecê, margeando o Rio São Francisco, assumirão o posto de verdadeiras novas fronteiras agrícolas do território baiano.

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A avaliação de sucesso é endossada pela vice-presidente da FAEB, Carminha Missio, que destacou o salto de 35% no oferecimento de tecnologia, ciência e informação nesta edição da feira. Segundo ela, o entusiasmo do produtor em renovar frotas e ampliar o networking dita o ritmo do evento.

No entanto, Missio fez um alerta crítico sobre o distanciamento persistente entre a realidade do campo e a percepção da sociedade urbana.

Para tentar sanar esse gargalo informacional, a federação chancelou o lançamento do portal Iagro Notícias, uma plataforma voltada para abastecer a imprensa e o público com dados técnicos detalhados e transparentes.

“Há uma distância muito grande no conhecimento ou na aceitação da verdade sobre os manejos ou sobre as fontes de produção da sustentabilidade alimentar. Nós, agricultores, que somos o coração que faz pulsar essa cadeia produtiva, ainda somos muitas vezes desconhecidos. Por esse desconhecimento, sofremos críticas que não são verdadeiras”, desabafou a vice-presidente.

Outro ponto analisado pelas lideranças diz respeito à logística de escoamento das safras. Recentemente, a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) iniciou estudos de viabilidade para a reimplantação da hidrovia do Rio São Francisco, uma alternativa há muito cobrada pelo setor produtivo.

Carminha Missio defendeu o projeto de forma enfática, pontuando que os benefícios ultrapassam a barreira financeira das planilhas de exportação. De acordo com a vice-presidente, a ativação da hidrovia vai ajudar grandemente a reduzir os índices de acidentes e mortes nas rodovias baianas, além de minimizar o custo logístico.

Com certeza vai ajudar grandemente, vai reduzir o índice de acidentes e de mortes nas estradas, porque nós temos vivido realidades assustadoras. Além disso, vai facilitar o escoamento, minimizar os custos de produção e fazer com que a nossa agricultura seja mais sustentável e que a nossa cadeia produtiva se torne cada vez mais viável".

Ao fechar o balanço, o presidente Humberto Miranda relembrou que gargalos como déficit de infraestrutura, falta de segurança no campo e demandas por assistência técnica contínua ainda travam o pleno potencial da Bahia rural, mas garantiu que o setor segue no rumo certo para manter sua forte contribuição econômica com o estado.

Estamos no caminho certo e a gente espera que o setor continue dando essa importante contribuição para o Estado.

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