Economia & Mercado
por Leonardo Oliveira e Alex Torres
Publicado em 03/06/2026, às 16h44
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB), Humberto Miranda, realizou uma breve análise sobre a discussão da escala 6x1 e o impacto da proposta no campo em entrevista ao BNews Junho Verde, nesta quarta-feira (3). De acordo com ele, o debate é importante, mas chega em um momento inoportuno, no qual o tema deve ser tratado com seriedade, mas sem contaminação política, com a necessidade de considerar a realidade do trabalhador e da produtividade no Brasil.
“Acho ele importantíssimo. Acho ele salutar. Agora, acho inoportuno o momento. Porque nós estamos à véspera da eleição e quem vai decidir, votar essas questões são os parlamentares que precisam do voto. Então, a discussão fica contaminada”, disse.
Na avaliação dele, o país precisa discutir não só a jornada de trabalho, mas também a qualificação da mão de obra, a mecanização e as condições reais de produção. “Nós precisamos discutir produtividade. A mão de obra brasileira é uma das de menor produtividade do mundo. Isso não é culpa do trabalhador brasileiro, isso é culpa de falta de capacitação e de qualificação da mão de obra, isso é falta de mecanização, de infraestrutura para que o trabalhador possa produzir mais”, explica.
O presidente da FAEB também alertou para o risco de a mudança gerar mais informalidade, principalmente entre trabalhadores de baixa renda. “O trabalhador que ganha R$ 1.600, quando ele tiver um dia de folga, ele não vai ficar em casa assistindo filme, ele não vai para a praia, ele não vai para o lazer, porque o dinheiro dele não dá. Ele vai fazer um bico”, pontuou.
Ao tratar do setor agropecuário, ele afirmou que uma folga a mais pode empurrar o trabalhador para serviços informais, em vez de mantê-lo em atividades com direitos garantidos. “Quando ele sair daquela fazenda que ele tiver um dia a mais de folga, ele vai fazer um bico pro vizinho, isso vai gerar informalidade. Ao invés de ele estar trabalhando num lugar com todas as condições trabalhistas legais, ele vai trabalhar na informalidade”, destacou.
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Humberto defendeu que a pauta seja discutida de forma mais ampla, com base na realidade econômica do país. Para ele, o risco é que qualquer alteração sem planejamento resulte em aumento de preços para o consumidor final.
“Nós somos do setor agropecuário 100% favorável a essa discussão, ela é oportuna, mas a gente precisa discutir sobre uma base do mundo real, do que as pessoas precisam, do que o ambiente de trabalho precisa, do que é melhor para a sociedade como um todo, para não gerar aumento de preços e acabar vindo pro colo do consumidor”, afirmou.
Por fim, ele reforçou que a discussão deveria acontecer fora do período eleitoral, para evitar contaminação política e permitir um debate mais equilibrado. “É um tema muito interessante e oportuno, mas eu acho que a hora não seria agora, a gente devia descontaminar isso pós-eleição para que a sociedade pudesse se manifestar de uma forma mais imparcial, sem nenhuma contaminação”, concluiu.
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