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Morre arqueóloga que revolucionou estudos sobre Homo sapiens e defendia Serra da Capivara

Divulgação / Niède Guidon
Arqueóloga morreu na madrugada desta quarta-feira (4), aos 92 anos  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Niède Guidon
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 04/06/2025, às 10h44 - Atualizado às 11h02



Morreu, na madrugada desta quarta-feira (4), a arqueóloga Niède Guidon, de 92 anos. Ela era conhecida pela atuação na defesa da Serra da Capivara, no estado do Piauí e por ter descoberto, na década de 1970, pinturas rupestres dos primeiros seres humanos que habitaram o Brasil, mudando a compreensão sobre Homo sapiens na América do Sul.

De acordo com o jornal O Globo, a informação foi confirmada por Marian Rodrigues, que é diretora do Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado em São Raimundo Nonato, e que foi fundado por Niède, sendo, atualmente, Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. 

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Niède recebeu, em 2005, o prêmio Faz Diferença. “É um trabalho importante não apenas pelo lado científico, mas porque numa região de caatinga, seca e miséria, a natureza criou uma das mais belas paisagens. E o homem pré-histórico a decorou. Ali está a maior concentração de pinturas do mundo. E estamos criando um centro universitário de formação de pessoal, pesquisa e turismo para fazer um trabalho autossustentável que acabe com a miséria e a ignorância, grandes males do Nordeste”, disse, na época, segundo a reportagem. 

O parque, no entanto, enfrenta dificuldades para conseguir recursos financeiros. Niède dizia que, apesar dos desafios, nada tiraria ela de lá, que lutou pela causa até os dias que antecederam a sua morte. 

"Não temos o número suficiente de funcionários. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é responsável pelo parque nacional, e o Iphan, que cuida dos sítios de arte rupestre, contam com dois ou três agentes. Outros 180 pertencem à Fundação Museu do Homem Americano, mantenedora da unidade. São moradores locais que precisam dividir-se entre atividades como cuidar de postos de vigilância, manter estradas e servir como guias turísticos, além de especialistas que evitam que animais e vazamentos de água destruam as pinturas", disse ela ao jornal O Globo, em 2018.

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