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Participação feminina no agronegócio tem alta significativa; índice ainda é considerado pequeno

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Pesquisa avaliou 418 empresas com funcionários entre 100 a 5.000 funcionários  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Freepik

Publicado em 15/12/2024, às 10h42   Publicado por Vagner Ferreira



O estudo de Diversidade nas Empresas, realizado pelo Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou aumento da participação feminina, sobretudo em cargos administrativos e de liderança no setor de agronegócio. 

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, os pesquisadores utilizaram dados de 2023 das companhias de capital aberto declarados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foram avaliadas as empresas de 100 a 5.000 funcionários. No geral, 418 companhias foram analisadas. 

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O gerente-executivo do departamento de gente e gestão da empresa Boa Safra, Rodrigo Viana, informou, em reportagem, que em 2021, quando iniciou na empresa, ele percebeu uma forte presença de pessoas pretas e pardas em diferentes níveis de cargos, mas que tinha poucas mulheres atuando. No período, a participação feminina era de apenas 4%. Neste ano, no entanto, o índice teve alta para 26,1%.

"O principal ponto foi a quebra de paradigma. Não havia nenhuma restrição para contratar mulheres, mas também nenhum estímulo”, afirmou.

Viana analisa que o primeiro passo foi feito, mas que ainda é preciso ter avanços no setor. “O agro é um segmento majoritariamente masculino ainda. Há muitos desafios e muita quebra de paradigmas para a gente fazer do ponto de vista de qualquer inserção de diversidade”, disse.

"Nosso principal tema agora é como que a gente dá cada vez mais voz e espaço às mulheres dentro da organização”, continuou. 

Para a gestora do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, Renata Camargo, o aumento aconteceu devido a criação de redes de apoio e eventos que promovem a inclusão. 

"Muita coisa, porém, precisa e pode ser feita. Por exemplo, tornar os ambientes de trabalho mais compatíveis, fazendo com que as mulheres se sintam mais capazes e seguras para fazer uma gestão. Além disso, é essencial garantir acesso igualitário à capacitação técnica, ao crédito e às oportunidades de ascensão na carreira", destacou Camargo. 

A diretora-executiva da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Gislaine Balbinot, também notou o aumento de mulheres em diferentes funções. "Engenheiras agrônomas, pesquisadoras, professoras, administradoras, técnicas, operadoras de máquinas, assistentes e produtoras estão contribuindo para o setor alcançar recordes de produtividade nas lavouras e eficiência nas agroindústrias", apontou.

Entretanto, de acordo com Balbinot, o potencial feminino ainda não foi totalmente explorado. "Assim como novas tecnologias disruptivas surgem no mercado para quebrar paradigmas e elevar o patamar, as mulheres também têm muito mais a entregar para o crescimento do agronegócio nacional", contou.

O último Censo Agropecuário, de 2017, apresentava apenas 19% das mulheres em cargos de gestão de propriedades rurais no país, equivalente a  30 milhões de hectares, o que corresponde a apenas 8,5% da área total ocupada.

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