BNews Agro
Publicado em 02/01/2025, às 12h00 - Atualizado às 12h40 Publicado por Vagner Ferreira
O ano de 2024 encerrou com queda no preço da soja do mercado internacional. Os analistas apontam que o valor deve demorar a subir no primeiro trimestre deste novo ano, visto que, a colheita tanto do Brasil, quanto da Argentina, está sendo avaliada como promissora para o novo ano, segundo informações do portal Globo Rural.
No primeiro mês do ano passado, os contratos futuros estavam em média de US$ 12 o bushel. O desempenho das colheiras fez com que a cotação não chegasse a US$ 10 o bushel na bolsa de Chicago.
As lavouras americanas também tiveram avaliações positivas, pressionando as cotações que geraram desvalorização de 25% da soja nos últimos 12 meses, conforme cálculos do Valor Data. O analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, Francisco Queiroz, associa o desempenho ao clima.
Nós temos um quadro de boa oferta encaminhado para 2025. Em janeiro, a indicação é de clima bom [como foi em dezembro], o que nos leva a crer que teremos de fato uma boa produção”, disse ao portal Globo Rural.
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A especialista de inteligência de mercado de grãos da StoneX, Ana Luiza Lodi, acredita que a oferta seguirá otimista e influenciando no desenvolvimento do mercado internacional. “Esse fator [de oferta] tem feito com que a alta do preço não se sustente. O Brasil pode colher uma safra recorde, e a Argentina também está com uma safra muito boa. Se isso se confirmar, a oferta de soja vai continuar folgada”, informou à reportagem.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estima que a colheita do Brasil na safra 2024/25 seja de 169 milhões de toneladas. Antes, a produção era de 153 milhões de toneladas.
“A demanda mundial por soja pode crescer 5% em 2024/25, o dobro da média para o período. O consumo tem boas projeções, mas caso elas não se confirmem, é mais soja para a conta dos estoques e ainda mais pressão sobre os preços”, comentou Queiroz em reportagem.
Vlamir Brandalizze, representante da Brandalizze Consulting, pontua que em maio, mês que inicia o plantio, será um dos momentos mais importantes para a safra no ano. Segundo ele, se neste período o bushel da oleaginosa for menor que US$ 10,20 em Chicago, consequentemente, os produtores americanos vão plantar mais milho, e assim, pode haver aumento no preço.
As vendas da safra 2024/25 estão aceleradas, segundo reportagem. Os agricultores já negociaram 35% do volume de soja para a colheita de janeiro, ante 20% do mesmo período do ano passado. Na última década, o índice médio foi de 30%.
Na safra sul-americana, Brandalizze aponta que os preços devem ficar entre 10% e 15% menores que as cotações atuais. O contrato para entrega em abril e maio de 2025 chegava a R$ 130 e R$ 131 por saca nos portos.
“O produtor está assustado com a safra grande e comercializou acima da média. Nós provavelmente teremos uma super safra, e, quando isso acontece, vemos preços muito baixos até três meses depois da colheita”, contou Vlamir Brandalizze, ao Globo Rural, ressaltando que o setor teme problemas com armazenagem.
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