BNews Agro
Em apenas um ano, as cotações internacionais do cacau despencaram 63,1%. A retração animou os consumidores de produtos fabricados a partir do fruto, como o chocolate, a manteiga de cacau, o cacau em pó, o nibs, a massa de cacau, entre outros, que esperam queda nos preços. Mas será que os valores ficarão de fato mais em conta e 2026 será um ano mais doce para os chocólatras de plantão e para quem vive profissinalmente dos derivados?
Receba as principais notícias de Política no canal do BNews no WhatsApp
De acordo com projeções da Organização Internacional do Cacau (ICCO), a safra de 2025/2026 deve ter um superávit de 287 mil toneladas. Já para a de 2026/2027, a expectativa é de 267 toneladas. Para o cálculo do superávit é levado em conta a produção menos o processamento.
O cenário é bem diferente do que foi visto na safra de 2023/2024, quando um déficit histórico de cerca de 400 mil toneladas fez os preços dispararem e alcançar o patamar histórico de mais de US$ 11,5 mil por tonelada. Atualmente, essa tonelada está avaliada em US$ 4,2 mil, uma redução de 63,5%.
Em entrevista, Anna Paula Losi, presidente executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau, explicou os diferentes momentos vividos pela produção do fruto nos últimos anos.
"A gente tem uma concentração de produção de amêndoas de cacau muito grande em um único continente, que é o continente africano. Os dois maiores produtores de cacau do mundo são Costa do Marfim e Gana. Então, os impactos, principalmente das mudanças climáticas, dos extremos climáticos, que acabam afetando a produtividade, mas também acabam tornando as lavouras mais suscetíveis a pragas, fez com que, nesses anos, as safras fossem muito ruins na África. E uma queda muito maior do que a expectativa que havia. Para além disso, a gente vem de ciclos anteriores, de 2023 e durante 2024, de aumento do consumo. Então a gente tinha um consumo maior, um aumento do consumo, principalmente nos países mais ricos e uma oferta desse produto cada vez menor. Então, a gente chegou no ciclo 23/24 a um déficit de mais de 400 mil toneladas. A partir do impacto dos preços, das altas, não esperadas e persistentes ao longo de um ano, em um dado momento isso afetou a demanda. Então, houve uma queda muito acentudada, especialmente comparando 2024 para 2025, na demanda por derivados de cacau. Então, a Europa teve queda, a Asia teve queda, o Brasil teve um queda muito grande. Em comparação a isso, as condições climáticas mais uma vez da África foram melhores do que nos ciclos anteriores. Então, a previsão de produção, ainda que não volte aos 2 milhões de toneladas na Costa do Marfim, é uma previsão de uma safra melhor. Então, hoje, o cenário que o ICCO, que é o organismo internacional que monitora a produção, ele tem, é de um superávit de amêndoas na casa de 200 mil toneladas. Mas esse superávit é porque a gente tá produzindo 200 mil toneladas a mais? Muito provavelmente não. Talvez haja uma produção um pouco maior. A gente escuta falar muito bem do Equador, de uma produção ampliando no equador, mas muito mais por conta dessa queda na demanda", disse.
Veja:
Preços do cacau despencam no mercado internacional e acendem esperança de chocolate mais barato pic.twitter.com/F6GU2UbEI7
— bnewsvideos (@bnewsvideos) February 21, 2026
No calendário agrícola de 2025/2026, a oferta em recuperação e demanda mais fraca no mercado mundial explicam a retração das cotações da commodity.
Na última quinta-feira (19), os preços do cacau na Bolsa de Valores de Londres caíram para o seu nível mais baixo em mais de dois anos e meio. As preocupações do mercado com os estoques não vendidos de cacau na Costa do Marfim e Gana, grandes produtores mundiais, puxaram os valores para baixo.
Na capital inglesa, o cacau fechou em queda de 162 libras, ou 7%, para 2.146 por tonelada, após atingir o menor nível em mais de dois anos e meio, de 2.133 libras. Já em Nova York, o cacau perdeu 7,7%, caindo para para US$3.058 a tonelada, após mínima de mais de dois anos e meio, de US$3.052.
Produção mundial
O cacau é uma das commodities agrícolas mais importantes do mundo, envolvendo uma ampla cadeia que abraça desde pequenos produtores até grandes processadores internacionais. Grande parte dos maiores produtores mundiais estão no continente africano, com destaque para Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões. O top 6 mundial inclui Equador e Brasil:
Em relação à oferta, a África Ocidental mostra recuperação após duas safras ruins. Costa do Marfim e Gana que, juntas, respondem por cerca de 60% da produção mundial, já operam com volumes de normalidade. Enquanto o primeiro pode atingir 1,85 milhão de toneladas em 2025/2026, o segundo deve alcançar cerca de 650 mil toneladas.
Brasil e Bahia
No Brasil, a Bahia é destaque, liderando a produção nacional e impulsionando a economia regional. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado produziu, em 2023, 139.011 toneladas de amêndoas de cacau, o que representa um crescimento de 0,6% em relação a 2022.
Em agosto de 2024, números do Valor Bruto Da Produção Agropecuária, calculados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária - MAPA, apontaram que o valor bruto de produção do cacau disparou de 1,9 bilhões em 2023 para uma previsão de 5,4 bilhões em 2024. Com isso, a cultura do cacau no estado saiu da 6ª posição no ranking estadual para a 3ª posição, ficando atrás das produções de soja com 14,2 bilhões e de algodão com 6 bilhões.
Os territórios produtores da Bahia estão no Litoral Sul e Baixo Sul, onde se destacam os municípios de Ilhéus, Wenceslau Guimarães e Ibirapitanga.
Por outro lado, o Brasil, mesmo com capacidade instalada de 275 mil toneladas, moeu apenas por volta de 190 mil toneladas em 2025, o pior desempenho desde a pandemia. E como o país importa amêndoas e exportada derivados (licor, manteiga e pó), o setor ainda enfrenta os reflexos da demanda fraca e dos custos elevados.
E os preços dos derivados vão cair?
Enquanto os preços do cacau estavam em alta, a indústria adequou estruturalmente suas receitas, com a redução da proporção de manteiga de cacau e ampliação de gorduras alternativas, aromatizantes e recheios.
Agora, o cenário é outro. Tem redução de preço no horizonte, mas com cautela. Segundo especialistas, a tendência é de queda, porém o processo pode levar tempo, por causa da complexidade da cadeia cacaueira e de seus derivados.
De acordo com Anna Paula Losi, assim como as altas dos preços demoraram de chegar na ponta, os reflexos das quedas também podem levar algum tempo para serem sentidos pelos consumidores.
"A gente teve um período aí de um ano e meio de picos de preço sistemáticos. A gente saiu ali do final de 2023 de uma cotação em bolsa na faixa de U$$ 2 mil a U$$ 3 mil para picos de U$$ 12 mil a tonelada em 2024 e 2025. Todo esse aumento que aconteceu lá atrás, ele demorou de ser repassado. Então, na ponta, a gente foi começar a ver reflexos dessa alta de preço depois de quase 8 meses depois do início desse processo. Então, muito provavelmente, essa queda que vem acontecendo já há algum tempo, mas que se intensificou aí no final de 2025, a gente deve levar algum tempo pra ver o reflexo na ponta, né, porque existem produtos que já foram comercializados com valores anteriores, nas faixas mais altas. Então, isso leva um tempo pra chegar ao consumidor final. Então, eu acredito que, neste momento ainda, a gente não verá esse reflexo no produto final, ainda que no produto intermediário, que seria licor, manteiga e pó, isso possa a começar a se refletir primeiro do que na ponta", destacou.
Assista:
Preços do cacau despencam no mercado internacional e acendem esperança de chocolate mais barato pic.twitter.com/tnOoL8hJSw
— bnewsvideos (@bnewsvideos) February 21, 2026
Sobre o tempo desse processo de redução chegar até o consumidor, a presidente executiva da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau pregouc cautela.
"É muito complicado a gente fazer esse tipo de previsão. O que os analistas têm demonstrado é que o impacto da alta do preço levou de seis a dez meses pra chegar na ponta e não chegou no valor máximo. A gente teve aí alguns períodos em que a diferença era de mais de 200% e isso nunca chegou na ponta. Então, esses mesmos analistas, eles dizem que essa redução no preço da amêndoa deve levar também entre seis, oito, dez meses, pra começar a refletir efetivamente no produto final, que seria chocolates e outros períodos", completou.
Confira:
Preços do cacau despencam no mercado internacional e acendem esperança de chocolate mais barato pic.twitter.com/7mzZEaXqZE
— bnewsvideos (@bnewsvideos) February 21, 2026
Classificação Indicativa: Livre
Lançamento com desconto
cinema em casa
som poderoso
Imperdível
Smartwatch barato