BNews Agro
Publicado em 22/01/2025, às 08h47 Publicado por Vagner Ferreira
A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China pode, mesmo que indiretamente, refletir positivamente no agronegócio brasileiro.
Isso ocorre porque o país asiático, que já é um dos grandes compradores do Brasil, deve recorrer ainda mais aos produtos brasileiros, com destaque para a soja, o milho e o setor de proteínas, como carne bovina, suína e de aves, conforme análise feita pelo banco Santander na terça-feira (21).
De acordo com informações do portal Exame, o comércio agrícola brasileiro também deve beneficiar outros mercados. O diretor de Comércio Internacional e Relações Governamentais da BMJ Associados prevê que o Brasil se tornará uma das principais localidades para quem deseja evitar a dependência de fornecedores tradicionais, como os Estados Unidos.
“A diversificação das fontes de importação cria uma oportunidade para o agronegócio brasileiro expandir sua participação de maneira seletiva e direcionada”, disse Pimenta.
O banco apontou que as ações serão reflexo de como a China atuará diante das medidas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda assim, o agronegócio brasileiro precisa se preparar para se posicionar em relação aos mercados globais.
Ofertas do agronegócio
O Brasil tem a soja como sua principal commodity. Com o retorno de Trump, as medidas devem ser mais rigorosas. No primeiro mandato, a política de protecionismo contra a China, além do aumento de tarifas, favoreceu a soja brasileira.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou um patamar recorde para a safra 2024/25 de 169 milhões de toneladas de soja, mas pontuou que os preços devem se manter baixos no mercado internacional, limitando o crescimento das exportações.
“Embora o Brasil possa se beneficiar de um possível agravamento da relação comercial entre Estados Unidos e China, os preços baixos podem neutralizar parte desse impacto positivo”, projetou o analista do Santander, Felipe Kotinda.
O Santander apontou um cenário mais complexo para o milho, visto que, em 2018, com as tarifas impostas pela China aos Estados Unidos, o país asiático representava apenas 2% do mercado de exportação americano, e o Brasil não realizava exportação do grão para a China.
O Brasil começou a ter relevância no cenário em 2022. Em 2023, exportou 17,4 milhões de toneladas de milho para a China, compondo 31% das exportações, sendo a China o principal destino. Em 2024, o desempenho recuou.
Já a pecuária brasileira foi impactada por crises no rebanho de outros países, e não em relação às tarifas comerciais. Em 2018, a China enfrentou a Peste Suína Africana, que matou 45% de sua produção. Assim, o país passou a buscar proteínas, como carne bovina, em outros países.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em 2024, a China se configurou como o principal destino da carne bovina brasileira, com 1,33 milhão de toneladas exportadas e um faturamento de US$ 6 bilhões.
"A competitividade da carne bovina brasileira, associada à alta demanda em mercados estratégicos como China e Estados Unidos, posiciona o Brasil como protagonista no comércio global de proteínas", informou o Santander.
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