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Na Sombra do Poder: Churrascaria Platinada

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Os bastidores da política baiana  |   Bnews - Divulgação Imagem criada por IA

Publicado em 30/04/2026, às 06h00   Editoria de Política



Churrascaria Platinada
Vereadores de um município da Região Metropolitana, casados e solteiros, empresários e advogados têm o hábito de frequentar, às sextas-feiras, a churrascaria Platinada. Sentam-se em local reservado e carimbado, onde mantêm conversas regadas a muito uísque e articulações de toda natureza, sempre falando em milhões de reais e sua destinação. Não raro, alguns enveredam para a casa ao lado e se perdem com seus cartões Platinum. O que não se esperava, depois de tanta denúncia de corrupção no município, é que houvesse registros de alguns desses encontros, mas há um porém: as afirmações gravadas podem ser simples bravatas. Por isso, é preciso apurar com rigor antes que qualquer nome seja reproduzido. A temperatura promete derreter asfaltos.

Pedras que Roncam
No restaurante Mistura Fina, o prato é famoso. No antigo prédio da Vitória, a pedrada que realmente ronca é uma velhinha. Investidores já compraram quase todas as unidades, oferecendo fortunas que fariam qualquer um assinar na hora. Ela, não. Fica lá, resiste, ronca e vê o valor do seu apartamento saltar de 800 mil para mais de 12 milhões de reais. Sem ela, o espigão não sai do papel. Fontes da sombra garantem: a senhora sabe exatamente o poder que tem nas mãos e não está disposta a ceder por nenhum encanto ou cheque. Enquanto isso, os investidores rangem os dentes e o prédio continua com sua pedra que ronca bem no meio do caminho. Às vezes, a maior pedra no sapato de um espigão é uma velhinha que não ronca pra ninguém.

Os Eunucos de Bruno
Dizem que todo rei tem seus súditos… e seus eunucos. O prefeito Bruno Reis não foge à regra. Na academia onde ele cuida do corpichto, um grupo seleto de assessores mais fiéis faz o serviço completo: carrega peso, mistura planilha com haltere, abana, borrifa aguinha gelada e ainda entrega toalha limpinha para o cacique da capital baiana. Não é personal trainer. É corte real. A Sombra do Poder flagrou a cena mais de uma vez. Enquanto o prefeito malha, os eunucos suam por ele, literal e figurativamente. Quando o poder precisa de quem carregue haltere e ego ao mesmo tempo, o reinado está mais frágil do que parece.

O Voo do Caribe
A Polícia Federal remeteu ao Supremo uma investigação sobre contrabando e descaminho para evitar nulidades de foro privilegiado. Sete malas desceram sem passar por controle aduaneiro nem raio-X, originadas no paraíso fiscal do Caribe. O empresário dono da aeronave já aparece em outras investigações pesadas. Agora, o inquérito ganha contornos ainda mais graves. As malas não eram de roupa. Eram de poder e sem qualquer transparência.

Sentiram o baque
A derrota do governo Lula na indicação de Jorge Messias ao STF teve efeito direto sobre dois dos principais articuladores da base no Senado. Jaques Wagner sentiu o impacto de uma votação que fugiu ao controle, após apostar em uma margem segura que não se confirmou no plenário. Já Otto Alencar deixou a sessão de cabeça baixa, em um retrato claro do abatimento entre governistas que contavam com a vitória. Nos bastidores, a avaliação é de que ambos saem desgastados, diante de um resultado que expôs falhas na coordenação política e abriu espaço para o avanço de forças contrárias ao Planalto dentro da Casa.

Abraço da consolação
O gesto foi silencioso, mas cheio de significado. Após a derrota do governo Lula no plenário, Davi Alcolumbre cruzou o caminho de Jaques Wagner e o cumprimentou com um abraço. Nos bastidores, a cena foi lida como um recado claro: o presidente do Senado mostrou quem conduziu o jogo e, ao mesmo tempo, selou o resultado com um gesto quase protocolar. Para aliados do governo, ficou a imagem incômoda de um articulador vitorioso consolando quem, até horas antes, acreditava ter os votos necessários para vencer.

Avaliou mal
O senador Jaques Wagner parecia estar tão tranquilo sobre a aprovação do nome de Jorge Messias para o Supremo, que chegou a dar uma passada no Palácio do Alvorada para discutir, ao lado de Jerônimo Rodrigues e do presidente Lula, questões da política baiana. Provavelmente, a permanência no Senado não seria suficiente para reverter o resultado, mas a saidinha foi vista como "inoportuna".

Apelou pra sorte, mas não deu
O senador Jaques Wagner apelou para uma gravata da sorte para tentar atrair energias positivas para a aprovação de Messias para o STF. O item é o mesmo usado pelo presidente Lula em diversas ocasiões, como o discurso mais recente na Assembleia Geral da ONU, nos Estados Unidos, e na cerimônia de posse. Ao que parece, a sorte ficou só com Lula mesmo.

Desacerto e desinteligência
Um episódio nada amigável pôs fogo na comunicação institucional do governo baiano e o foco do incêndio, mais uma vez, recai sobre a já combalida Seap. Tudo isso por conta da prisão de um suposto policial penal por acusações de estupro e assédio sexual em Bom Jesus da Lapa nesta semana. A informação de que ele era um agente penitenciário saiu da comunicação da Polícia Civil e foi disparada para toda a imprensa. No entanto, no início da tarde, a Seap tratou de esclarecer que não se tratava de um servidor da área penitenciária e que a responsabilidade sobre ele é da Polícia Civil. A comunicação, ao que parece, é mais um elo fragilizado no atual governo.

Lulismo é estratégia
A pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira (29) revela que 47% dos baianos entrevistados querem um governador aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o levantamento, apenas 16% querem um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Um número que não deve ser subestimado e que mostra o desafio eleitoral enorme da oposição na Bahia. Talvez isso explique a falta de definição de ACM Neto quanto ao apoio a Flávio Bolsonaro. Segundo o cientista político, professor Cláudio André, "o lulismo não é preferência - é estratégia eleitoral".

A marmita de Isidório
A instalação da comissão especial que discute o fim da escala 6x1 até tentou parecer solene, mas virou cena de bastidor. Quem roubou a cena foi o deputado Pastor Sargento Isidório, que apareceu de capacete laranja e empunhando um cartaz defendendo a escala 5x2, como se estivesse em plena obra ou protesto. No meio da audiência, ainda encontrou tempo para almoçar. Entre discurso, performance e refeição, o parlamentar conseguiu resumir bem o ritmo da comissão: trabalho, só se for com pausa garantida.

Classificação Indicativa: Livre

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