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Caso Giselle: Tenente-coronel acusado de matar esposa divide cela com outros PMs e tem cinco refeições por dia; veja rotina

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A defesa nega as acusações, alegando que a soldado Gisele Alves cometeu suicídio após pedido de divórcio  |   Bnews - Divulgação Reprodução
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por Redação Bnews

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Publicado em 30/04/2026, às 06h51 - Atualizado às 07h00



Preso há mais de um mês, o tenente-coronel Geraldo Neto está em uma cela com outros três policiais militares no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. É ali que ele cumpre prisão preventiva enquanto responde à acusação de ter matado a própria esposa, a soldado Gisele Alves, com um tiro na cabeça.

A rotina dentro da unidade é controlada. Até cinco refeições por dia, três principais e duas complementares, e duas horas de banho de sol. Circulação limitada. Saídas da cela, basicamente, para atendimento e contato com advogados.

Gisele morreu em 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central da capital. Tinha 32 anos. O Ministério Público sustenta que ela queria se separar e enfrentava resistência do marido, de 53. A defesa do oficial nega o crime e afirma que a soldado tirou a própria vida após um pedido de divórcio. A Justiça manteve a prisão.

Cela compartilhada e primeiros dias no regime fechado
A permanência de Neto no presídio e as condições da detenção foram confirmadas pela Polícia Militar, em nota enviada por meio da Secretaria da Segurança Pública.

"O interno se encontra alocado na ala voltada aos internos do regime fechado, primeiro estágio, em uma cela com outros 3 reeducandos", diz um trecho da nota enviada ao g1.

Esse primeiro estágio — o mais rígido dentro da unidade — funciona como período de adaptação. Nos primeiros dias, pouca movimentação e regras mais fechadas. A progressão depende de avaliação interna e comportamento. Todos os policiais que entram no regime fechado passam por essa fase por, no mínimo, 30 dias.

Preso desde 18 de março, o oficial completou 42 dias na unidade na última quarta-feira (28). Mesmo detido, mantém a patente, mas não pode exercer qualquer autoridade hierárquica ali dentro.

O advogado Eugênio Malavasi afirma que há expectativa de mudança de estágio, embora sem confirmação: "Já está subindo de estágio, mas acho que ainda não subiu. Não tenho essa informação concreta".

Recepção registrada em vídeo
Um vídeo obtido pela TV Globo mostra a chegada de Neto ao presídio. Ele é recebido com abraços por outro policial militar. A corporação não detalhou se esse tipo de recepção é padrão.

Estrutura do presídio e regras internas
O Presídio Militar Romão Gomes é a única unidade do estado destinada exclusivamente a policiais militares. Criado em 1949 e transformado em unidade administrativa autônoma em 1952, hoje tem capacidade para 328 detentos e abriga cerca de 250.

Há uma ala feminina, separada, com espaço para até seis internas. Atualmente, uma policial militar está presa no local.

Atividades como horta e criação de galinhas — voltadas à produção de ovos para consumo interno — ficam restritas a quem está no regime semiaberto. No fechado, como é o caso de Neto, essas possibilidades não se aplicam.

Internos têm direito a visitas, atendimento de saúde, acompanhamento psicológico, assistência social e religiosa. Também podem estudar por correspondência e trabalhar dentro da unidade, o que pode reduzir o tempo de pena.

Apesar de relatos ao longo dos anos sobre fugas, a Polícia Militar reconhece oficialmente apenas uma, registrada em 2016. O detento foi recapturado.

Acusação, provas e aposentadoria
A prisão preventiva foi decretada em 18 de março. Neto virou réu por feminicídio e fraude processual , há suspeita de tentativa de simular um suicídio.

Laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do Ministério Público indicam que ele teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena. Imagens de câmeras corporais de policiais que atenderam a ocorrência também colocaram em dúvida a versão apresentada pelo oficial.

Mensagens extraídas do celular, ainda sob análise, mostram um padrão descrito como controle e violência doméstica. Em trechos, ele se autodenomina “macho alfa” e exige que a esposa se comporte como uma “fêmea beta”.

Se houver condenação, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família de Gisele.

Neto é o primeiro oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio desde 2015, quando a lei entrou em vigor.

No dia 2 de abril, a corporação formalizou a aposentadoria do tenente-coronel. Mesmo fora da ativa, ele segue recebendo salário — em fevereiro de 2026, antes da prisão, o valor bruto foi de R$ 28,9 mil, conforme dados do Portal da Transparência do governo paulista.

Decisão do STJ
Na quarta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, decidiu que a Justiça comum deverá julgar o tenente-coronel, caso o processo avance até essa etapa.

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