Em coletiva realizada no final da tarde desta quinta-feira (3), o secretário da Segurança Pública (SSP), Maurício Teles Barbosa, garantiu a segurança dos foliões durante o carnaval de Salvador. De acordo com ele, foi montado um esquema especial para assegurar a tranquilidade dos foliões, com policiamento em todos os circuitos do carnaval.
Barbosa afirmou que, mesmo a Justiça já tendo decretado a greve como ilegal, a secretaria já havia montado um esquema especial para não permitir que a paralisação anunciada colocasse em risco a segurança do carnaval. "A segurança no carnaval está garantida. Temos 22 mil homens trabalhando, entre os quais delegados, digitadores e investigadores de polícia civil, que inclusive já retiraram seus kits de trabalho", afirmou o secretário.
A greve anunciada pelos policiais é decorrente da morte do policial Valmir Gomes, da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), conhecido como Nosso Amigo, em troca de tiros com outros policiais civis ocorrida na noite desta quarta-feira (2), na Avenida Paulo VI, na Pituba.
O secretário disse a ação que realizada na noite de quarta-feira que resultou na morte do policial Valmir Gomes, em que dois policiais civis froram feridos, vinha sendo desenvolvida após denúncias de envolvimento dos policiais com traficantes. "Eles usavam coletes e armas da Polícia Civil para praticar ações delituosas. Esse tipo de comportamento nós não vamos aceitar", assinalou o secretário, justificando a ação desastrosa.
Os policiais investigados, segundo a SSP, receberam os colegas à bala, havendo a troca de tiros que terminou com a morte de "Nosso Amigo". Os outros dois envolvidos conseguiram escapar;
Em nota divulgada na manhã desta quinta-feira, a SSP informou que a "Corregedoria da Polícia Civil está apurando as circunstâncias do confronto entre policiais civis, ocorrido na noite desta quarta-feira. A troca de tiros entre ospoliciais resultou na morte de Valmir Gomes, investigador da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR)".
Segundo a nota, ele "estava acompanhado de outras duas pessoas, numa viatura não padronizada. Os três reagiram quando foram abordados por uma equipe de investigadores da Delegacia de Tóxico e Entorpecentes (DTE), que foi ao local averiguar uma denúncia de extorsão".
"A denúncia foi feita diretamente à Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança Pública (SSP), que acionou a Polícia Civil. Foi relatado que policiais civis estavam exigindo dinheiro para não prender um jovem, que estava comprando lança perfume", continua o comunicado da SSP.
Ainda conforme a versão oficial, o "O jovem foi levado para a Corregedoria da Polícia Civil para prestar depoimento. Os integrantes das equipes que participaram da operação também foram ouvidos. Os carros envolvidos na troca de tiros estão sendo periciados e todas as armas foram apreendidas".
A nota finaliza afirmando que "com a troca de tiros, os outros dois homens fugiram e estão sendo procurados. Além dos agentes da DTE, os policiais que foram checar a denúncia, contavam com o apoio da Coordenadoria de Operações Especiais (COE)".
PM insatisfeita - Apesar da garantia do secretário Maurício Barbosa, o clima não é tão ameno quanto ele quer fazer crer. Enquanto os policiais civis cruzam os braços em protesto contra a morte do colega, os militares mostram insatisfação com relação aovalor da diária do carnaval.
Segundo fontes da Polícia Militar, a corporação está recebendo uma remuneração quase três vezes inferiror aos integrantes da Guarda Municipal para trabalhar durante os período de carnaval.
De acordo com fontes da corporação, o governo está pagando cerca de R$ 800 para os policiais que estão garantindo a segurança da população durante os dias de folia, os integrantes da Guarda Municipal estão recebendo cerca de R$ 2 mil para atuarem no carnaval, sendo que a eles não cabe a garantia da integridade física do folião, já que é uma segurança patrimonial.