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Cérebro de cachorros consegue “ler” emoções no rosto humano; entenda

Divulgação / Laura Cuaya
Estudo analisou padrões cerebrais de cães diante de fotos com diferentes expressões faciais  |   Bnews - Divulgação Divulgação / Laura Cuaya
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 11/08/2026, às 13h12 - Atualizado às 18h56



Muitos tutores já diziam e agora a ciência comprova. Imagens de ressonância magnética trazem evidências de que os cães têm uma compreensão relativamente sofisticada das emoções humanas. Ao observar fotos de rostos humanos, esses animais são capazes de distinguir expressões de diferentes emoções, como alegria, medo ou raiva.

Embora essa capacidade não possa ser comparada com a das pessoas, ainda assim a constatação é mais um indício de que convivência de milhares de anos entre as duas espécies aproximou a cognição e as emoções de ambas.

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De acordo com a pesquisadora Laura Cuaya, da Universidade de Viena, a verificação de habilidades como esta obedece parâmetros bem diferentes quando se observam caninos e primatas. "Quando comparamos os seres humanos com os demais primatas, estamos observando habilidades que podem ter vindo de um ancestral comum", declarou.

A responsável pela pesquisa explicou, em comunicado oficial, que esse elo não existe quando se trata de humanos e caninos. "Com os cães, a história é totalmente diferente. Eles seguiram uma trajetória evolutiva muito diferente, mas, por meio da domesticação, desenvolveram as habilidades sociais necessárias para nos entender e cooperar conosco", esclareceu a principal autora do estudo.

As conclusões do trabalho, que envolveu pesquisadores da Universidade Autônoma do México e de instituições de pesquisa na Hungria, foi publicada no periódico especializado iScience nesta segunda-feira (10).

Estudo analisou reações cerebrais de cães

A equipe trabalhou com um total de 20 cães. A maioria deles era da raça border collie, mas havia alguns labradores, golden retrievers e vira-latas no meio. Os tutores dos animais também participaram do estudo.

Os animais foram treinados a ficar dentro dos aparelhos de ressonância magnética com corpo esticado e patas dianteiras estendidas, em uma posição de "esfinge". Posicionados na máquina, os cães viam uma sequência de fotos de rostos humanos.

Para o estudo, foram usadas imagens de pessoas que os animais não conheciam. A precaução foi adotada para que não houvesse interferência nos resultados, pois existem evidências de que os cachorros são particularmente sensíveis às expressões faciais de seus cuidadores e outras pessoas com quem convivem.

Estudos anteriores já tinham apontado que os cães são capazes de reconhecer e diferenciar expressões de emoções positivas e negativas no rosto humano. O ponto de partida da nova pesquisa foi replicar esses trabalhos anteriores, testando se havia diferenças claras no processamento neural de imagens de rostos com expressão neutral ou alegres no cérebro de seus voluntários caninos.

Reações no córtex temporal

Conforme o esperado, foi isso o que aconteceu. Foi registrada uma ativação específica de áreas correspondentes ao córtex temporal do hemisfério cerebral direito dos cães. Eles também conseguiram corroborar a diferenciação principal entre a captação dos sinais faciais da alegria e os de emoções negativas.

Uma análise mais ampla das redes de ativação neural revelou, ainda, que havia uma diferença na maneira como o cérebro dos bichos processava certos pares de emoções negativas representados pelas fotos dos rostos humanos.

Divulgação / Laura Cuaya

“Leitura” das emoções

O estudo fez comparações binárias, mostrando primeiro os rostos com uma emoção e depois exibiam outra para apreciação dos cães, em pares. Ao que parece, o cérebro dos cães consegue captar a diferença entre expressões de raiva e medo e de tristeza e medo, mas não entre as de raiva e as de tristeza.

Sobre a aparente facilidade dos cães em captar expressões de alegria, os pesquisadores consideram a hipótese de que isso esteja ligado ao relacionamento do animal com os tutores e com o chamado “sistema de recompensa”. A premiação ensina ao cão quando ele está "fazendo a coisa certa" em seu ambiente e, com isso, agradando ao tutor e às demais pessoas à sua volta.

Já para as emoções negativas, os dados podem sugerir que os cachorros conseguem captar melhor o que está acontecendo quando provocam intensidade emocional mais forte, no caso o medo e a raiva. Para as emoções que envolvem elementos mais sutis, como a tristeza, teriam mais dificuldade para serem lidas.

Classificação Indicativa: Livre

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