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Entenda por que seu gato mia muito: a explicação pode estar nos genes

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Pesquisa da Universidade de Kyoto mostra que o gene AR influencia a comunicação e comportamento dos gatos  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Divulgação/Whiskas

Publicado em 05/07/2025, às 12h00 - Atualizado às 13h02   Analu Teixeira



Quem convive com gatos provavelmente já notou que eles miam de formas diferentes ao longo do dia. Alguns pedem comida com insistência, ronronam no colo ou recepcionam visitas na porta. Outros preferem a observação silenciosa, mantendo certa distância. 

Mas por que alguns gatos são tão comunicativos enquanto outros são mais reservados? 

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Um estudo recente liderado por Yume Okamoto, da Universidade de Kyoto, aponta que a resposta pode estar nos genes. Donos de gatos no Japão participaram da pesquisa preenchendo um questionário sobre o comportamento dos animais e coletando amostras de DNA da bochecha de seus felinos. 

Os pesquisadores focaram no gene do receptor de andrógeno (AR), localizado no cromossomo X, que regula a resposta do organismo a hormônios como a testosterona. Esse gene contém uma sequência de DNA que pode se repetir em maior ou menor número, e isso afeta seu funcionamento. 

Repetições mais curtas tornam o receptor mais sensível. Em humanos e cães, esse tipo de variação já foi associada a comportamentos mais extrovertidos e até agressivos. 

No estudo com 280 gatos castrados ou esterilizados, aqueles com a variante curta do gene AR ronronavam mais e, entre os machos, também miavam com mais frequência para chamar atenção. Já as fêmeas com a mesma variação se mostraram mais agressivas com estranhos. Por outro lado, gatos com a versão mais longa do gene eram mais quietos — característica comum em raças de pedigree, criadas para serem mais dóceis. 

Embora se acredite que a domesticação tenha favorecido a vocalização nos gatos, é curioso que a variante genética associada a esse comportamento também esteja presente em espécies selvagens, como o lince. 

Isso sugere que a domesticação não segue um caminho linear em direção à docilidade. Em ambientes domésticos mais estressantes ou com recursos limitados, traços como assertividade ou vocalização podem ser vantajosos, mesmo que venham acompanhados de certa agressividade. 

A comparação com outros animais urbanos, como as gaivotas, reforça essa ideia. Um estudo da Universidade John Moores, em Liverpool, mostrou que gaivotas que vivem nas cidades são mais ousadas e briguentas que as que vivem no campo. Em ambientes urbanos, ser assertivo aumenta as chances de conseguir alimento, uma vantagem evolutiva clara. 

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As descobertas de Okamoto mostram como ambiente e genética moldam o comportamento. Traços ligados ao gene AR podem facilitar a convivência com humanos, mas também tornar o gato mais exigente ou reativo. Essa variação comportamental é essencial para a adaptação da espécie, e indica que não há um único "jeito ideal" de ser gato. 

No fim das contas, de felinos a gaivotas, viver entre humanos nem sempre torna os animais mais dóceis. Às vezes, insistir dá resultado. 

Classificação Indicativa: Livre

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