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Um mês depois, produtor da festa Aurora se defende: 'Por que essa perseguição?

Imagem Um mês depois, produtor da festa Aurora se defende: 'Por que essa perseguição?
Evento foi encerrado pela polícia em Camaçari no mês de junho  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 10/07/2018, às 16h30   Redação BNews



Na madrugada do dia 10 de junho, uma operação envolvendo policiais militares e civis, além de agentes de fiscalização da prefeitura de Camaçari, interromperam a festa Aurora, que acontecia em Arembepe, no Óasis da Lagoa. Na ação, cinco pessoas pessoas foram presas e outras 11 conduzidas para 26ª Delegacia Territorial de Abrantes. Houve também a apreensão de drogas como ecstasy, cocaína, LSD e maconha. Entre os presos, estava Danilo Barreto Matos, conhecido como Nazca, DJ, produtor de eventos eletrônicos e organizador da festa.

Em contato com o BNews, Danilo Matos enviou uma nota de esclarecimento sobre o ocorrido no evento. Ele diz que foi "injustamente preso e acusado de tráfico de drogas junto a mais quatro trabalhadores" e fala na existência de perseguição à festa Aurora.

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Confira a baixo a nota do produtor de eventos:

Nazca e seu núcleo Soononmoon realizam a Aurora há 12 anos em Camaçari e, assim como em todos os anos, em 2018 seguiram os mesmos processos administrativos de sempre para obter o alvará. Importante salientar que, desde 2007, em todas as Auroras a produção obteve o alvará, buscando sempre a legalidade e apresentando todos os documentos solicitados pela Prefeitura. Mesmo com todos os documentos, inclusive ofícios enviados para a Polícia Militar e Polícia Civil, em todos esses anos nunca houve nem a presença da Prefeitura ou da polícia durante o evento, mesmo com a produção solicitando apoio. Esse ano foi bem diferente. A notificação de que o alvará havia sido indeferido chegou na tarde da sexta, cerca de 24 horas antes do evento começar. Não houve tempo hábil para buscarmos um recurso judicial que pudesse garantir a realização do evento. E houve pela primeira vez a presença tanto da fiscalização da Prefeitura como da polícia, numa ação coordenada e com a clara missão de não deixar acontecer o evento. 

O que mudou foram os acontecimentos do ano passado, onde houve um falecimento (uma pessoa que estava na festa morreu no hospital) e principalmente o desaparecimento de um garoto por 6 dias, que teve ampla cobertura da mídia até o dia em que ele enfim apareceu. Ora, nenhum dos dois casos é de responsabilidade da produção. São todos maiores de 18 anos e responsáveis pelos seus atos. Não podem responsabilizar a produção pelos excessos de pessoas do público, ainda mais quando existe um cuidado em contratar uma equipe profissional de segurança, com revista estrita na portaria, uma equipe de redução de danos e equipe médica completa com médico plantonista. Excessos acontecem em praticamente todo tipo de evento nos dias de hoje. Então porque o foco nos eventos eletrônicos? Por que essa perseguição?

Sim, nos sentimos perseguidos como cultura eletrônica, assim como também já foram perseguidos o rock nos anos 50 e 60, como foram perseguidos e mal-entendidos o samba, o jazz, o candomblé e outras culturas que tiveram que quebrar com a tradição vigente para impor uma nova de forma de expressão cultural.

Mas como tentar parar uma cultura trance global que cresce enquanto continua buscando reconhecimento e aceitação? Como marginalizar uma manifestação cultural genuína que vem espalhando-se pela superfície da Terra nos últimos 30 anos, com momentos movidos a paz, alegria, dança e contato com a natureza? Como tentar anular os agentes do transe coletivo? Sim, eles podem ter prendido Nazca, podem embargar a Aurora, mas como encarcerar uma ideia? As ideias voam livres, soltas, transformadoras. Elas transcendem a mente limitada e conservadora.

Nazca foi detido acusado de tráfico de drogas, ficou dois dias e algumas horas com mais 4 pessoas que estavam trabalhando na festa, sem nem ao menos ser revistado.

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