Cidades

Cenário de abandono e clima de insegurança após desapropriações revolta moradores de bairro de Salvador

Leitor BNews
Casas desocupadas e sem proteção acumulam entulhos; desapropriação de imóveis faz parte de obras de macrodrenagem do Rio Ipitanga  |   Bnews - Divulgação Leitor BNews
Cibele Gentil

por Cibele Gentil

Publicado em 24/07/2026, às 09h23 - Atualizado às 11h05



Uma situação no bairro do Parque São Cristóvão, também chamado de Fazenda Cassange, em Salvador, tem deixado os moradores apreensivos e aumentado a sensação de insegurança da população. Em decorrência das obras de macrodrenagem do Rio Ipitanga, que corta a região, houve a desapropriação e indenização de diversos imóveis da Travessa Entre Rios.

No entanto, o trecho se encontra em um crescente estado de degradação. Conforme imagens encaminhadas por um leitor BNews, as casas foram desocupadas sem que fosse realizada a devida vedação de portas, janelas e telhados. O resultado do abandono dos imóveis desprotegidos tem sido o acúmulo de entulhos na vizinhança e o aumento da periculosidade do local.

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De quem é a responsabilidade?

Procurada pelo BNews, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) afirmou, através de nota, que a retirada das portas e janelas das casas teria sido uma solicitação dos antigos ocupantes. Segundo a resposta, a intervenção tem acontecido de forma planejada e em “diálogo permanente com a comunidade”.

Conforme informou a Conder, “a Travessa Entre Rios integra a obra de Macrodrenagem do Rio Ipitanga, correspondente ao Marco 1 do Parque Linear, que inclui a construção de um caminho de serviço, para viabilizar o desassoreamento e a limpeza da calha do Rio Ipitanga, e de uma ciclovia”.

De acordo com o órgão, a intervenção foi pactuada entre o Ministério Público da Bahia (MPBA), a Prefeitura de Salvador e a Conder, cabendo à companhia a elaboração dos projetos, as desapropriações e a execução das obras. A Conder também informou que o desassoreamento e a limpeza da calha do rio ficaram sob responsabilidade da Prefeitura.

Ainda em nota, a Conder afirmou que os imóveis da área foram regularmente desapropriados e indenizados e que, até o último dia 7, alguns moradores ainda realizavam a retirada de seus pertences. Segundo o órgão, “após a desocupação, foram retiradas as portas e janelas dos imóveis, uma solicitação dos próprios ex-ocupantes, o que explica o aspecto atualmente observado nas edificações”.

Demolição dos imóveis e continuidade das obras

A Conder esclareceu que “as ações de limpeza e a realocação de comércios fazem parte das atividades preparatórias para o início de uma nova etapa da obra”. O órgão afirmou que “as demolições dos imóveis desapropriados terão início na próxima semana, conforme o planejamento do empreendimento e após a efetiva liberação das edificações”.

A companhia finalizou a nota afirmando que “conduz a intervenção de forma planejada, respeitando as etapas necessárias para a execução da obra e mantendo diálogo permanente com a comunidade. Com o início das demolições e o avanço das frentes de serviço, as estruturas desocupadas serão removidas, permitindo a continuidade das intervenções previstas para o trecho”.

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