Cidades
por Bruna Rocha
Publicado em 12/04/2025, às 07h00
Há cinco anos, a construtora MRV entregou o Condomínio Costa das Baleias, em Camaçari, região metropolitana de Salvador. Desde a entrega da obra, em 2020, os moradores enfrentam problemas relacionados ao entupimento da encanação e vazamentos de esgoto. Atualmente, os residentes convivem com um buraco de 8 metros abaixo do prédio, o que tem gerado risco de desabamento e causado desconforto devido ao mau cheiro dos dejetos.
Os primeiros problemas começaram no primeiro ano após a entrega das residências, com as bombas da Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) entupindo com frequência. Yan Xavier, 31 anos, morador do bloco 21, recorda que atualmente enfrenta um buraco de 8 metros de profundidade em frente ao seu apartamento.
“As nossas bombas da ETE viviam entrando muita areia desde que o condomínio foi entregue (2020), tivemos que trocar diversas bombas durante esse tempo. Até que entramos em contato com a MRV porque a empresa que realizava a limpeza nos informou que tinha sido um erro de obra. A MRV então começou a realizar uma obra na região onde ficavam essas bombas e nos disse que o solo tinha cedido nessa região, mas não dizia o porquê”, conta o morador ao BNews.
Yan recorda que quase houve uma morte no condomínio devido ao buraco."Um colaborador da empresa entrou no buraco, e o solo começou a ceder, colocando até mesmo em risco a vida do colaborador”, lembra.
De acordo com o morador, o entupimento é causado por alguns minadores de água situados nas proximidades do condomínio, que não apenas obstruem as bombas da ETE, mas também estão comprometendo a estabilidade do terreno. Yan ressalta que os engenheiros que inspecionaram a obra confirmaram a presença de minadores de água no local, indicando que o lençol freático é tão intenso que chega a brotar do solo.
Em entrevista ao BNews, o Engenheiro Civil, Cícero Bastos, explica o que são minadores de água. “O minador de água é a passagem de água que “brota do solo” e sai pelos buracos da terra. Isso geralmente acontece em locais construídos próximos a lençóis freáticos”, diz.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no Youtube
Devido às irregularidades com a bomba, Yan lembra que os “moradores tinham que literalmente desviar do esgoto que saia por alguns bueiros do condomínio”. Mais um ano de tratativas passou e conforme o síndico do condomínio, Ueliton Cerqueira, 49, a construtora diz que vai enviar especialistas, mas isso não ocorre.
“A construtora através do engenheiro Felipe Mattos Bajzek passou uma última atualização na sexta-feira, e disse que está aguardando duas empresas de engenharia especializadas enviar os orçamentos com o escopo dos serviços para enviar a programação de início da obra. Mas, a MRV já passou essa informação outras vezes e não comprou”, conta o síndico.
Ao todo, o Condomínio Costa das Baleias conta com 21 blocos, todos com 20 residências, totalizando 420 imóveis. Como morador, Yan destaca se sentir vulnerável.
Me sinto em risco até mesmo de desabamento do meu prédio, saio de casa com medo de chegar e não encontrar mais meu imóvel do jeito que ele é”.
Com a insegurança morando abaixo do apartamento dela, Receba Batista, 41, que vive no térreo do bloco 21, decidiu deixar sua moradia a cerca de um mês por observar a sedimentação das portas e janelas da casa. Hoje, ela passa mais tempo na casa da mãe, em Salvador, por medo de acidentes no condomínio.
“Já tô vendo a diferença na janela do meu quarto, na porta e também na sala. Só fizeram o reparo na parte de dentro do meu quarto, não fizeram na parte de fora. Eu fico sem saber o que fazer, porque eles não são claros, eles não falam, e nem são objetivos a cerca de uma solução”, diz.
Durante as visitas de reparo, Receba questionou os engenheiros da construtora, e segundo ela, todos afirmaram a mesma coisa: “não é um problema estrutural”.
A primeira rachadura foi na janela do meu quarto, onde eles [engenheiros] vieram e fizeram o reparo e disseram que não era estrutural. Um ano depois apareceu outra rachadura enorme no quarto do meu filho. Eles vieram, falaram que não era estrutural e fizeram o reparo dentro e fora de casa. Na janela do meu quarto abriu outra rachadura e está sem o reparo”.
Diante os problemas, o especialista Cícero Bastos, aponta que neste casos o “ ideal é que a empresa realize um teste no solo como uma sondagem”, pontua. Segundo o engenheiro, o teste “consiste em fazer alguns furos de amostragem para identificar a presença de lençóis freáticos próximos, o tipo de solo e possíveis problemas nas condições do terreno”.
E adiciona: “Provavelmente, a empresa fez a sondagem, mas não encontrou o lençol freático, possivelmente devido a alguma falha na transmissão das informações. Assim, construíram por cima sem considerar essa questão. O ideal seria fazer um rebaixamento, dependendo da profundidade, mas isso não é recomendado para forçar o nível do rebaixamento dos lençóis freáticos”.
Em nota ao BNews, a construtora MRV informou que “mantém comunicação transparente e atualizada com a administração do condomínio acerca da obra de reparo da estação de tratamento de efluentes do Costa das Baleias em Camaçari. Nossa equipe gestora, que já esteve pessoalmente no empreendimento, mantém canal de comunicação aberto com os condôminos e está trabalhando na oferta da solução mais ágil e segura, visando menor impacto possível na dinâmica dos moradores”, pontua.
A Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Sedur-BA) foi contatada para explicar em quais condições legais o condomínio foi construído, mas não obteve retorno. O Bnews também buscou um posicionamento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que tem a função de fiscalizar o cumprimento das leis de preservação ambiental, e também não recebeu resposta. Por fim, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) foi questionada e, assim como as demais, não se manifestou. A reportagem segue disponível para ouvir os orgãos citados.
Classificação Indicativa: Livre
Smartwatch barato
Limpeza inteligente
copa chegando
Super desconto
Som perfeito