Cidades

Estudante denuncia transfobia após ser impedido de usar banheiro masculino em bar de Salvador

Estudante estava acompanhado de duas amigas e comemorando o resultado das urnas das eleições de 2026 - Reprodução/Redes Sociais
Jovem de 20 anos afirma que foi barrado por um segurança no Copito Bar, no Rio Vermelho, e relata constrangimento durante abordagem  |   Bnews - Divulgação Estudante estava acompanhado de duas amigas e comemorando o resultado das urnas das eleições de 2026 - Reprodução/Redes Sociais


Um estudante trans, de 20 anos, foi impedido de usar o banheiro masculino por funcionários do Copito Bar, localizado no Largo de Santana, no Rio Vermelho, durante as comemorações do resultado das eleições presidenciais. Segundo o jovem, mesmo após explicar sua identidade de gênero, um funcionário continuou a se referir a ele no feminino.

O estudante registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) e tem depoimento previsto para esta quinta-feira (29).

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Em relato ao Correio, o jovem contou que estava no estabelecimento com duas amigas quando precisaram usar o banheiro. Como havia uma longa fila no feminino, as duas decidiram procurar outro local, enquanto ele seguiu para o banheiro masculino, que estava sem fila.

No corredor, um segurança gritou com o estudante e disse: “Você vai voltar para fila”, por acreditar que ele tentava furar a fila do banheiro feminino. Mesmo após explicar que pretendia utilizar o sanitário masculino, o jovem afirmou que o funcionário riu e negou o acesso com a cabeça.

“Perguntei: ‘Por que não pode? Eu estou indo para o banheiro masculino, sim’. Mas ele dizia que não, não pode”, contou.

Uma discussão começou após a abordagem, e outras pessoas se envolveram, questionando a atitude do segurança. Um jovem que havia acabado de sair do banheiro percebeu a situação e ajudou o estudante a entrar.

“Ele me puxou e disse: ‘Vem comigo, você vai entrar, sim’. Ele que fez a proteção. Por mais que eu estivesse ali constrangido e tudo mais, eu ia entrar sozinho. Mas eu não sei se eu teria tanta segurança quanto eu tive quando esse menino surgiu. Ele ficou na porta do banheiro até eu usar”, relatou.

“Toda a festa que eu estava fazendo antes do ocorrido tinha passado. Toda a alegria tinha passado”, acrescentou.

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Estudante relata transfobia

Ainda de acordo com o relato, após usar o banheiro, o estudante encontrou as amigas. Uma delas passou a questionar os funcionários sobre a abordagem, que o grupo considerou transfóbica. Na tentativa de resolver a situação, eles procuraram alguém que pudesse responder pela equipe do bar.

Um funcionário se apresentou como gerente, e o estudante explicou seu nome social, sua identidade de gênero e os direitos relacionados ao uso do banheiro.

“Ele disse que estávamos em um dia atípico, com muita movimentação, e que o segurança ficava confuso. Ele disse: ‘Vocês têm que entender que era uma figura feminina indo para o banheiro masculino’. A gente falou: ‘Espera aí’ e começou a bater na tecla que não era uma figura feminina”, contou.

Segundo o estudante, o funcionário continuou usando pronomes femininos para se referir a ele e ameaçou registrar um boletim de ocorrência por agressão verbal.

“Houve, sim, a gente chamando a atenção das pessoas, falando que ali era um bar transfóbico. Mas, em nenhum momento, a gente ofendeu a pessoa dele, como ele fez comigo e não se retratou em nenhum momento. Ele riu e debochou também”, afirmou.

Somente depois de sair e retornar ao estabelecimento, o grupo descobriu que o homem não era o gerente. Uma mulher se apresentou como responsável pelo cargo e conversou com o estudante, mas, segundo o relato, não pediu desculpas diretamente a ele.

Copito Bar se manifesta

Em nota enviada ao BNews, o Copito Bar lamentou o ocorrido e o constrangimento causado ao cliente. O estabelecimento afirmou que o segundo turno das eleições provocou uma movimentação excepcional, com superlotação e dificuldades na organização das filas dos banheiros.

Segundo o bar, a abordagem da segurança tinha como objetivo organizar o fluxo de pessoas, e não impedir o acesso de clientes em razão da identidade de gênero. A empresa reconheceu, no entanto, que a intervenção acabou impedindo a entrada do estudante no banheiro masculino e provocou um desentendimento.

Sobre o funcionário que se apresentou como gerente, o estabelecimento informou que ele foi chamado para mediar a situação e utilizou pronomes inadequados ao se dirigir ao cliente. Na nota, o bar afirma que o funcionário pediu desculpas ao perceber o equívoco e reconhece que a ausência de intenção discriminatória não elimina o constrangimento causado.

O Copito Bar declarou ainda que não compactua com qualquer forma de discriminação e que reforçou as orientações às equipes de atendimento e segurança para evitar situações semelhantes.

Confira a nota na íntegra
“Naquela noite, o estabelecimento registrou um movimento excepcionalmente intenso, com superlotação e dificuldades na organização das filas dos banheiros. Diante desse cenário, foi necessário intensificar o controle de acesso, uma vez que diversos frequentadores tentavam utilizar o banheiro masculino, que se encontrava momentaneamente vazio.

Durante essa organização, houve uma abordagem por parte da segurança que impediu o acesso de um homem trans ao banheiro masculino, resultando em um desentendimento.

Esclarecemos que a orientação do estabelecimento era organizar o fluxo de pessoas diante da superlotação, e não restringir o acesso aos banheiros em razão da identidade de gênero.

Um responsável pela equipe foi chamado para mediar a situação e, durante a conversa, utilizou pronomes inadequados ao se dirigir ao cliente. Segundo seu relato, o equívoco não teve intenção discriminatória, tendo ele se desculpado ao perceber o erro. Ainda assim, reconhecemos que a ausência de intenção não elimina a possibilidade de constrangimento e lamentamos o ocorrido.

O Copito Bar reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e não compactua com qualquer forma de discriminação.

Reforçamos as orientações às equipes de atendimento e segurança, buscando garantir que situações semelhantes sejam conduzidas de maneira adequada e respeitosa.

Nosso objetivo sempre será proporcionar um ambiente seguro e acolhedor para todos os nossos clientes”.

Classificação Indicativa: Livre

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