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Maio Amarelo: Excesso de velocidade, álcool e celular agravam tragédias na Bahia

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Excesso de velocidade e uso de celular ao volante estão entre os principais fatores que contribuem para acidentes graves na Bahia  |   Bnews - Divulgação AFP/Prefeitura de Jacobina
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 24/05/2026, às 05h00



A maioria das tragédias no trânsito baiano poderia não acontecer, dados apresentados pelo Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran) apontam que cerca de 90% dos acidentes registrados no estado estão ligados à falha humana, um cenário que expõe problemas de comportamento, imprudência e desrespeito às leis de trânsito.

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Excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, direção sob efeito de álcool, uso do celular ao volante e desatenção aparecem entre os principais fatores associados aos acidentes graves e fatais na Bahia.

“Falha humana está associada a tudo isso: excesso de velocidade, falta de uso de capacete, falta de cuidados, falta de respeito à sinalização do trânsito, alcoolemia”, afirmou o diretor-geral do Detran-BA, Max Passos

Segundo o gestor, a imprudência segue como o principal desafio para reduzir os índices de mortes no trânsito, especialmente entre motociclistas. Atualmente, cerca de 71% dos acidentes registrados na Bahia envolvem motos.

O problema vai além das estatísticas e deixa marcas permanentes na vida de vítimas e famílias. Uma das histórias retratadas pelo Detran-BA é a do atleta Emerson Pinheiro, atropelado enquanto treinava corrida no bairro da Pituba, em Salvador. O motorista responsável dirigia alcoolizado. O impacto foi tão grave que Emerson teve uma das pernas amputadas.

Outro caso citado é o de Ian Peterson, jovem que sofreu um grave acidente durante uma corrida de Uber Moto na Avenida Paralela, uma das vias com maior registro de acidentes fatais na capital baiana. O estudante ficou semanas hospitalizado após sofrer múltiplas lesões.

Já Lorena Costa foi atingida por um motociclista que tentou realizar uma ultrapassagem na contramão, na região da Federação. O episódio reforça como comportamentos de risco seguem comuns no trânsito da capital.

Entre as infrações mais recorrentes em Salvador está justamente o excesso de velocidade, a prática ocupa o primeiro e o terceiro lugar entre as infrações mais cometidas na cidade.

Além disso, o uso do celular ao volante se consolidou como um dos maiores desafios da atualidade. Segundo estudo mencionado no documento, digitar uma mensagem enquanto dirige a 40 km/h equivale a percorrer cerca de 50 metros “com os olhos vendados”.

O psicólogo perito do trânsito Antônio Israel também alertou sobre os riscos ligados ao comportamento impulsivo, especialmente entre jovens motoristas. “Eles acabam achando que podem tudo, e entram as questões pessoais, os comportamentos de risco, excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas”, afirmou.

Para os especialistas, o cenário mostra que apenas fiscalização não é suficiente. A aposta principal segue sendo a educação no trânsito desde a infância. “Se a gente investir primeiro em educação e depois em fiscalização, eu acho que é o caminho”, defendeu Max Passos.

Apesar das campanhas educativas e operações realizadas durante o Maio Amarelo, os números seguem altos e refletem uma cultura de imprudência ainda presente nas ruas e estradas baianas.

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