Cidades

Por dentro da Ponte Salvador-Itaparica: Canteiro começa a produzir estruturas que vão para o mar

Divulgação/Ricardo Oliveira
Equipes trabalham na soldagem e fabricação de estruturas metálicas para a Ponte Salvador-Ilha de Itaparica em Maragogipe.  |   Bnews - Divulgação Divulgação/Ricardo Oliveira
Camila Sales

por Camila Sales

Publicado em 31/07/2026, às 10h18 - Atualizado às 11h25



O canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, segue em uma nova etapa da construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica. No local, equipes trabalham na soldagem de tubos de aço e na fabricação das estruturas metálicas que serão utilizadas nas próximas fases da obra. As peças produzidas, serão levadas por via marítima até os pontos de construção na Baía de Todos-os-Santos.

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Além das estacas metálicas, o canteiro também fabrica vigas de apoio, painéis, sistemas de sustentação e outros componentes que serão usados nas plataformas de trabalho durante a execução das fundações da ponte.

Segundo o gerente-geral de construção da CCCC Second Harbor, Francisco Miguel Alves, o espaço é essencial para o andamento da obra: 

"Esse canteiro funciona como o coração logístico da implantação da ponte. É aqui que transformamos a matéria-prima em estruturas prontas para serem embarcadas e utilizadas nas frentes de trabalho no mar. A produção em solo, aliada à estrutura portuária do canteiro, garante o abastecimento contínuo das operações marítimas e contribui para o avanço das próximas etapas do empreendimento".

A fabricação das estruturas, no entanto, segue um rígido controle de qualidade. Os tubos de aço, que podem chegar a 1.400 milímetros, passam por soldagem e, depois, por uma série de inspeções para garantir a segurança das peças, de acordo com Especificações de Procedimentos de Soldagem (EPS). 

"Após a fabricação, as juntas soldadas são submetidas a ensaios por ultrassom, capazes de verificar a integridade interna da solda, enquanto reforços e olhais de içamento recebem testes por líquido penetrante para identificar eventuais imperfeições superficiais. Caso qualquer desconformidade seja identificada, a solda é reparada e novamente inspecionada. Somente os componentes aprovados em todas as etapas do controle de qualidade são liberados para embarque", explica Francisco Miguel.

Mulheres ganham espaço na obra

A produção das estruturas é feita por profissionais brasileiros, muitos deles contratados na Bahia, principalmente na região do Recôncavo, entre eles há a participação de mulheres em áreas especializadas, como a soldagem.

Efigênia dos Santos, moradora de Maragogipe e soldadora há mais de 20 anos, já trabalhou em plataformas de petróleo, na ampliação do Porto de Salvador, nas obras do metrô e no Polo Industrial de Camaçari. Para ela, participar da obra representa um motivo de orgulho e uma grande responsabilidade:

"A soldagem da estrutura metálica exige muita precisão, responsabilidade e qualidade. Estamos trabalhando em uma estrutura que vai suportar grandes cargas, por isso cada solda precisa ser executada com muito cuidado e por profissionais qualificados. Como mulher, me sinto muito feliz por fazer parte desse empreendimento, que é importante para a Bahia, para o Brasil e tem relevância internacional. Também fico feliz por estar ajudando a abrir portas para que mais mulheres ocupem espaço na indústria e em profissões como a soldagem, onde ainda somos minoria.”

Outra profissional é Verônica Santos Mercês, de São Roque do Paraguaçu, primeira mulher a integrar a equipe de soldagem da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica. Soldadora há 14 anos, ela afirma que sempre quis fazer parte do projeto e espera incentivar outras mulheres a seguirem a profissão.

"Quero dizer às mulheres que desejam trabalhar na soldagem para não desistirem. Quando anunciaram a construção da ponte, eu já sabia que queria estar aqui e hoje tenho muito orgulho de fazer parte desse projeto. Assim como a oportunidade chegou para mim e para outras colegas, tenho certeza de que também chegará para muitas outras que esperam uma oportunidade de mostrar sua capacidade."

Para o gerente de Relações Institucionais e porta-voz da concessionária, Carlos Prates, a presença feminina na obra mostra que a qualificação técnica é o principal critério para formar as equipes e reforça a importância de ampliar a participação das mulheres na construção pesada.

"A construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica reúne profissionais altamente qualificados, independentemente de gênero. É motivo de satisfação ver cada vez mais mulheres ocupando funções especializadas, como a soldagem, que exigem precisão, responsabilidade e excelência técnica. Além de fortalecer a engenharia nacional, essa participação contribui para ampliar oportunidades e inspira outras profissionais a ingressarem em um segmento que vem se tornando cada vez mais diverso e inclusivo".

Classificação Indicativa: Livre

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