Cidades
por Redação BNews com informações de Daniel Serrano
Publicado em 29/04/2025, às 11h53 - Atualizado às 13h20
Em clima de indignação, lideranças comunitárias, movimentos ambientais e representantes da sociedade civil organizada fizeram uma manifestação contra o leilão de mais uma área verde desafetada pela Prefeitura de Salvador, marcado para terça-feira (29).
Ela ocorreu nas imediações do Circo Picolino, em Pituaçu, em defesa das áreas públicas e verdes da capital baiana. A mobilização é organizada pela bancada da oposição na Câmara de Vereadores, pelo Fórum A Cidade Também é Nossa e pelo movimento SOS Áreas Verdes.
O leilão
A Prefeitura de Salvador relançou o leilão de um terreno de 17,5 mil m², em Pituaçu, localizado próximo ao Circo Picolino. O imóvel, valorizado após obras de requalificação urbana, será ofertado com lance mínimo de R$ 19,1 milhões a partir desta terça Esta é a segunda tentativa de venda. A primeira, ocorreu em fevereiro, mas não recebeu propostas. A área integra um conjunto de 30 terrenos e áreas verdes autorizados para alienação pela Câmara Municipal.
O protesto
Na ocasião, o BNEWS conversou com moradores e representantes de coletivos engajados na defesa do meio ambiente urbano. As entrevistas evidenciam o sentimento comum de desrespeito à população e às tradições ambientais da cidade.
“Estão vendendo Salvador”
Morador da região de Pituaçu, Edmundo Pereira relembra como a área em disputa já foi um espaço natural rico em biodiversidade:
“Tudo aqui era pântano, com pequenas lagoas e dunas de areia branca. Depois colocaram barro e agora estão concretando tudo, impermeabilizando o solo. E aí reclamam quando a cidade alaga. Isso é o começo da privatização da praia. Vão fazer um aquário, cercar tudo e a gente só entra pagando. Ele quer vender Salvador, essa é a verdade.”
“Queremos trazer o verde de volta”
Isabel Pérez, do coletivo Estela Mares, lembra que a luta contra a desafetação de áreas verdes não é nova:
“Desde 2023 estamos enfrentando essa tentativa de transformar áreas públicas em negócios privados. Fomos agredidas na Câmara por nos posicionarmos contra. A orla está sem verde, e o que a gente quer é justamente o contrário: revitalizar o bioma da restinga, proteger a Mata Atlântica e garantir uma cidade viva, com clima mais ameno. Em tempos de emergência climática, menos verde é mais doença, mais calor, mais morte.”
Sobre o diálogo com o poder público, Isabel é categórica. “Não há diálogo. O PDDU está sendo discutido numa caixa-preta. A sociedade não é chamada. Quando provocamos esse debate, é como se estivéssemos mexendo num cofre sagrado.”
“Acarajé com salsicha é a ideia de futuro?”
Para Miguel Sebi, do SOS Buracão, o projeto da Prefeitura desrespeita tanto o meio ambiente quanto a cultura local:
“O prefeito disse que o verde não serve pra nada. Ele pegou um container do Rio e colocou aqui, sem nenhuma identidade com a Bahia. Vai acabar servindo acarajé com salsicha. Isso é evolução? Querem fazer um aquário na beira-mar, quando poderiam restaurar a Mata Atlântica e devolver a área ao povo. Esse pedaço de Salvador é patrimônio da população, não um ativo imobiliário.”
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da bancada de oposição, reforçou que o grupo segue lutando pela suspensão do leilão, a exemplo do que ocorreu no Morro do Ipiranga no último dia 15.
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